Peter Highman é um pai de primeira viagem cuja esposa dará à luz em cinco dias. Enquanto Peter tenta pegar um voo para sua casa em Atlanta e chegar a tempo de ficar ao lado de sua mulher, suas boas intenções vão para o espaço quando um encontro surpresa com o aspirante a ator Ethan Tremblay faz com que Peter tenha de pegar uma carona com ele – o que será uma viagem pelo país que irá acabar com muitos carros, várias amizades e com a paciência de Peter.
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Ficha Técnica ..::
Título
Original: Due Date.
Origem: Estados Unidos, 2010.
Direção: Todd Phillips.
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland, Adam Sztykiel e Todd Phillips.
Produção: Daniel Goldberg e Todd Phillips.
Fotografia: Lawrence Sher.
Edição: Debra Neil-Fisher.
Música: Christophe Beck.
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Elenco ..::
Robert Downey Jr., Zach Galifianakis, Michelle Monaghan, Jamie Foxx, Juliette Lewis, Danny McBride, RZA, Matt Walsh, Brody Stevens, Jakob Ulrich, Naiia Ulrich, Todd Phillips, Bobby Tisdale, Sharon Morris, Nathalie Fay, Emily Wagner, Steven M. Gagnon, Connie Sawyer, Marco Rodríguez, Mimi Kennedy, Tymberlee Hill, Keegan Michael Key, Aaron Lustig, Jon Cryer, Charlie Sheen, Cesar Aguirre, Jeremy Ambler, Kennith Edwards, Tony Folden, Barry Hopkins, Erica LaRose, Reagan Michelle e Paul Renteria.
Todo produto que é vendido em grande quantidade segue, necessariamente, uma fórmula de fabricação. Não importa em qual objeto você pense, saiba que em seu processo de fabricação existem regras definidas e uma metodologia de trabalho que visa produzir sempre a maior quantidade de itens ao menor custo unitário possível.
Sendo a maior indústria de cinema do mundo, em Hollywood as coisas não são diferentes. O problema maior consiste em encontrar uma fórmula de sucesso. Quando isso acontece, além dos lucros provenientes dela, uma série de novos produtos similares surge dia após dia até que essa fórmula seja saturada ou superada por outra de maior eficácia. Esse é um ciclo padrão na indústria do cinema norte-americano.
Quando Se Beber, Não Case estreou nos cinemas em 2009, a receptividade do público e da crítica forma as melhores possíveis. O filme faturou mais de US$ 400 milhões mundo afora e se converteu em uma nova fórmula: uma comédia com ritmo acelerado, roteiro repleto de reviravoltas e elementos absurdos, um personagem principal mais sério e outro secundário servindo de escada para as piadas.
Não demorou para que a fórmula começasse a ser colocada em prática. O primeiro da listas foi A Ressaca. Se Beber, Não Case já tem continuação confirmada para 2011 e Um Parto de Viagem, também dirigido por Todd Phillips, segue o mesmo padrão, inclusive repetindo um dos atores do “filme matriz”. Porém, não estamos falando de parafusos ou bolachas. Estamos falando de um produto cultural e, nesse caso, uma fórmula perfeita repetida à exaustão, nem sempre é garantia de sucesso.
No filme Peter Highman (Robert Downey Jr.) é um pai de primeira viagem cuja esposa dará à luz em cinco dias. Enquanto tenta pegar um voo para sua casa em Atlanta e chegar a tempo de ficar ao lado de sua mulher, suas boas intenções vão para o espaço quando ele se encontra com o aspirante a ator Ethan Tremblay (Zach Galifianakis) e uma série de acontecimentos o obrigam a pegar uma carona com ele, numa longa viagem pelo país.
Desde o cartaz até o estilo de filmagem, passando pela estrutura do roteiro tudo em Um Parto de Viagem lembra o filme Se Beber, Não Case. Porém, diferente do primeiro onde mesmo as situações mais inverossímeis se encaixavam com naturalidade no desenvolvimento da trama e as piadas, de bom ou mau gosto, funcionavam perfeitamente dentro da estrutura do filme aqui o que acompanhamos é uma boa premissa, mas que se perde em pontos-chave da trama e chega até mesmo a constranger em alguns momentos com situações completamente forçadas e desnecessárias.
Zach Galifianakis mais uma vez interpreta o papel do típico imbecil, que faz as coisas mais estúpidas possíveis, mas sem perder o seu ar inocente. Em alguns momentos, o ator que é um dos grandes responsáveis pelo sucesso do filme anterior, exagera com traços exacerbados que soam como uma caricatura de si próprio. Sem naturalidade no desempenho, ponto forte de sua atuação, algumas piadas soam forçadas ou, para ser mais preciso, mal encaixadas no roteiro.
Uma das sequências que ilustra esse conceito acontece quando Ethan e Peter estão discutindo à beira de um penhasco. Ao sair correndo do carro Ethan corre em círculos e, indo em direção à porta do carro aberta, atropela-a e arranca. Mesmo dentro de um contexto de comédia, essa não é uma situação plausível e uma situação que deveria tender par o cômico com naturalidade soa como se estivesse inserida em uma comédia pastelão. Exemplos como são freqüentes na produção.
Apesar de situações embaraçosas como essas, não se pode negar que Um Parto de Viagem funciona. A fórmula é eficiente, a premissa é válida e Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis são carismáticos o suficiente para segurarem sozinhos boa parte da produção. No melhor estilo road movie, grande parte das sequências se passam dentro de um carro e ambos são predominantes nos diálogos ao longo do filme. Juntos são capazes de conduzir momentos de altíssimo nível, com no momento em que Ethan encena alguns monólogos em um banheiro ou quando ele e Peter param para comprar drogas com Heidi (Juliette Lewis, numa pequena e simpática participação). Aliás, seu papel no filme funciona como uma espécie de teaser já que a atriz está escalada para interpretar o mesmo personagem em Se Beber, Não Case 2.
Embora divirta, Um Parto de Viagem é claramente uma reciclagem da fórmula criada pelo próprio diretor, e funciona muito mais como um laboratório para a produção que estreia em 2011 do que como uma comédia original ou que acrescente algo para o formato ou para o espectador. Talvez com um pouco mais de cuidado e menos oportunismo, no sentido ruim da palavra, a produção poderia ser também uma grata surpresa como o filme que a inspirou já que, como é apresentada, certamente não repetirá o mesmo bom desempenho nas bilheterias.