Uma mulher quer resolver sua questões interiores sobre o amor e, para isso, decide embarcar numa jornada através da América. No meio do caminho ela vai encontrando uma série de personagens incomuns.
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Ficha Técnica ..::
Título
Original: My Blueberry Nights.
Origem: Hong Kong / China / França, 2007.
Direção: Wong Kar Wai.
Roteiro: Wong Kar Wai e Lawrence Block, baseado em história de Wong Kar Wai.
Produção: Stéphane Kooshmanian, Jean-Louis Piel, Jacky Pang Yee Wah, Wang Wei e Wong Kar Wai.
Fotografia: Darius Khondji.
Edição: William Chang.
Música: Ry Cooder.
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Elenco ..::
Jude Law, Norah Jones, Chad R. Davis, Katya Blumenberg, John Malloy, Demetrius Butler, Frankie Faison, David Strathairn, Adriane Lenox, Rachel Weisz, Benjamin Kanes, Cat Power, Michael Hartnett, Natalie Portman, Michael May, Jesse Garon, Sam Hill, Tracy Elizabeth Blackwell, Michael Delano, Audrei Kairen, Bill Hollis, C. Clayton Blackwell e Hector A. Leguillow.
Um Beijo Roubado não foge ao perfil habitual dos filmes de Wong Kar Wai (2046 – Os Segredos dos Amor, Amor à Flor da Pele). As cores fortes e vibrantes, o ritmo acelerado da metrópole entremeando a vida dos personagens entre uma cena e outra e a presença marcante de sensações como ausência e solidão tem se tornado um referencial comum em suas produções.
Embora os destinos dos personagens se cruzem eles não são suficientes para mudar os rumos de suas vidas. É longe dos olhos, na solidão e na ausência que acontecem as transformações. Pequenas, é bem verdade. Mas não por isso menos significativas ou substanciais.
O papel de fio condutor da trama cabe a Elizabeth (Norah Jones) um jovem em busca de resoluções para os seus problemas interiores que parte em uma viagem pela América. Junto consigo ela carrega uma pesada carga de incertezas e o sonho de juntar algum dinheiro para comprar um carro. Pelo caminho ela conhece pessoas como o alcoólatra Arnie, numa excelente interpretação de David Strathairn (Boa Noite e Boa Sorte), e sua ex-mulher Sue Lynne (Rachel Weisz, de O Jardineiro Fiel) ou a inveterada jogadora de pôquer Leslie (Natalie Portman, de A Outra).
Elizabeth não é a responsável pelo que vem a seguir em seus destinos. No entanto é o seu destino, o seu caminho incerto que passa a ser definido através de suas novas experiências. E é através delas que molda sua nova personalidade, tornando-se alguém mais segura de si, porém ainda repleta de questionamentos.
Embora estreante nas telonas, a cantora Norah Jones – que também participa da bela e suave trilha sonora do filme – não compromete. Embora seja a atriz principal, são os coadjuvantes – Rachel Weisz, Natalie Portman e David Strathairn – que brilham com mais intensidade, em cenas longas e carregadas de uma forte carga emocional (e isso é muito bem ilustrado na cena em que Arnie admite seu alcoolismo, mostrando suas fichas na mesa do bar). Jeremy (Jude Law), o proprietário de um bar de Nova York completa o elenco de boas atuações da produção e sua naturalidade no papel também merece destaque.
Co-produção entre China e França, Um Beijo Roubado consegue unir ainda características do cinema dos dois países, como a parcimônia e o simbolismo do cinema oriental, com o diálogo intelectual e os movimentos de câmera quase que experimentais do cinema francês (do bom cinema francês, não do atual).
Por isso, não espere por um filme convencional, bem delineado e perfeitinho para os padrões de manuais de roteiro norte-americanos. Aqui há espaço para algumas ousadias e há uma permissividade de experimentação, de tentativas, de erros e acertos. Felizmente, no balanço final, há mais acertos do que erros. E como brinde ainda nos são oferecidos alguns momentos de reflexão bastante interessantes. Afinal de nada adianta a percepção de tantas mudanças se não houver espaço para que nós mesmos possamos pensar em colocar em ordem algumas questões mal-resolvidas.