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::.. TROPA DE ELITE ..::
::.. Sinopse ..::
Um capitão do BOPE quer deixar o posto e busca um substituto, ao mesmo tempo em que 2 amigos se destacam por sua honestidade como policiais.
::.. Ficha Técnica ..::
Título Original: Tropa de Elite.
Origem:
Brasil, 2007.
Direção:
José Padilha.
Roteiro:
Rodrigo Pimentel, Bráulio Mantovani e José Padilha.
Produção:
José Padilha e Marcos Prado.
Fotografia:
Lula Carvalho.
Edição:
Daniel Rezende.
Música:
Pedro Bromfman.
::.. Elenco ..::
Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Milhem Cortaz, Fernanda de Freitas, Fernanda Machado, Thelmo Fernandes, Maria Ribeiro, Emerson Gomes, Fábio Lago, Paulo Vilela, André Mauro, Marcelo Valle, Erick Oliveira, Ricardo Sodré, André Santinho, Luiz Gonzaga de Almeida, Bruno Delia, Alexandre Mofatti e Daniel Lentini.
::.. Site Oficial ..::
http://www.tropadeeliteofilme.com.br
::.. Premiações ..::
-
::.. Saiba mais ..::
- Em novembro de 2006 traficantes do morro Chapéu Mangueira, onde as filmagens eram feitas, seqüestraram parte da equipe que trabalhava no filme e roubaram as armas cenográficas. 59 delas eram réplicas e 31 verdadeiras, adaptadas para tiros de festim. As filmagens foram paralizadas por cerca de duas semanas.

- Após ter a equipe seqüestrada e as armas cenográficas roubadas durante as filmagens de Tropa de Elite, o diretor José Padilha teve uma cópia pirata do filme circulando antes de sua estréia nos cinemas. A cópia, que não era a edição definitiva do filme, foi vendida em camelôs 2 meses antes do lançamento.

::.. Crítica ..::
Deve-se assumir claramente de que lado você está. A mensagem do Capitão Nascimento logo nos primeiros minutos de Tropa de Elite deixa claro o porque de tanto incômodo e alvoroço em torno da adaptação cinematográfica do livro Elite da Tropa.

São várias as oportunidades em que a direção de José Padilha coloca em cheque a passividade, o jeitinho brasileiro e a conivência com pequenos delitos que, em larga escala, geram as grandes tragédias que nos indignam nos telejornais. Para muitos retratar de maneira estereotipada os universitários como grandes consumidores de drogas – lícitas e ilícitas – pode soar como abusivo. Mas será que a nossa realidade é mesmo tão distante da ficção? Basta circular, em Curitiba mesmo, por bares e casas noturnas num sábado à noite para perceber que, se essa não é a regra, pelo menos é uma convincente exceção.

Poderíamos dizer que jovens que se escondem por detrás de ações sociais e ONGs político-filosóficas e que vêm a polícia como outro tipo de criminosos também são obra de ficção. Podemos fechar os olhos e acreditar que toda a violência utilizada por uma tropa de choque – que só existe justamente porque a polícia convencional já não suporta a violência com que é tratada pelos criminosos – é abusiva e desnecessária. Podemos acreditar ainda que passeatas com homens e mulheres vestidos de branco caminhando pelas ruas pedindo paz irá solucionar algum tipo de problema. Nem oito ou oitenta.

A inocência e ingenuidade de dois policiais – fio condutor da trama de Tropa de Elite – nos mostra que nenhum extremo está com a razão. De nada adianta se lamentar pela violência, se ela começa em nós mesmos, no inocente baseado de um usuário que não trafica e não faz mal a ninguém. Ele é uma formiga em meio a um formigueiro que movimenta milhões, elege governantes e define o rumo das nações. De que adianta pintar o rosto e ir às ruas clamar por justiça, enquanto furamos a fila em bancos, desrespeitamos leis de trânsito ou mesmo nos omitimos diante daquilo que sabemos ser errado?

Capitão Nascimento, Neto ou Matias não são nenhum tipo de herói, nem tampouco o BOPE é uma liga da justiça ou de paladinos da verdade. Pelo contrário. Nascimento é um homem estressado, descontrolado e que coloca em risco todos os seus comandados graças ao seu descontrole emocional. A polícia – como qualquer outra profissão – tem a sua parcela de maus elementos e corruptos. Assim como temos advogados que usam a lei em benefício próprio, médicos que realizam práticas cirúrgicas abomináveis, jornalistas que escrevem as verdades que o dinheiro propõe e estudantes que enganam a si mesmo, quando enganam um professor, e que se sentem felizes em levar vantagem colando em uma prova ou apenas colocando o nome em um trabalho sem sequer ter produzido uma linha de texto. Tudo isso sobre o rótulo de esperteza, de jeitinho brasileiro, numa justificativa louvável pela sociedade.

Quem são os verdadeiros bandidos então? Tropa de Elite aponta para cada um de nós. Por isso incomoda, dói. Assim como dói um tapa na cara de um traficante. Nossa mão está ali, em cada agressão. Nosso rosto está ali, em cada gesto de violência.

Apesar disso, Tropa de Elite não é um grande filme. Há problemas nítidos na edição de som (com o som ambiente “visivelmente” prejudicado em relação aos “offs” de estúdio) e um roteiro construído sobre uma premissa ingênua (a entrega dos óculos para um menino na favela e a tentativa de não se corromper – e já se corrompendo – quando Neto e Matias põem em risco a vida de toda a favela para salvar um de seus colegas e, principalmente, não serem descobertos pelo seu “erro de direito”). No entanto, de um modo extremo, sua mensagem chega ao espectador de maneira invasiva. Alguns podem se sentir incomodados. Outros podem não acreditar que isso realmente exista fora dos cinemas (ou dos computadores, uma vez que Tropa de Elite é um “fenômeno” de pirataria no Brasil). A interpretação é livre e a carapuça está ai para quem quiser vestir.

Verdade ou mentira, o que se espera é que a população – e não só as autoridades – reflita qual é a sua real parcela de culpa na violência urbana da atualidade. Ficar em casa sentado no sofá se escondendo da violência não é a solução. Ir às ruas em passeatas políticas também não. E nem tampouco vai adiantar culpar esse ou aquele. Somente uma mudança de atitude, em cada um de nós, é que vai trazer algum tipo de resultado e, quem sabe um dia, Tropa de Elite não passe a ser apenas uma mera obra de ficção.
Wikerson Landim - wikerson@portaldecinema.com.br
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