Um ex-investigador novato da polícia retorna misteriosamente do mundo dos mortos como Spirit para combater o crime nas sombras de Central City. Seu arquiinimigo, o Octopus, tem uma missão diferente: aniquilar a amada cidade de Spirit enquanto busca a sua visão pessoal da imortalidade.
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Ficha Técnica ..::
Título
Original: The Spirit.
Origem: Estados Unidos, 2008.
Direção: Frank Miller.
Roteiro: Frank Miller, baseado em HQ de Will Eisner.
Produção: Deborah Del Prete, Gigi Pritzker e Michael E. Uslan.
Fotografia: Bill Pope.
Edição: Gregory Nussbaum.
Música: David Newman.
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Elenco ..::
Jaime King, Gabriel Macht, Dan Gerrity, Arthur the Cat, Kimberly Cox, Brian Lucero, David B. Martin, Larry Reinhardt-Meyer, Frank Miller, Eva Mendes, Eric Balfour, Samuel L. Jackson, Louis Lombardi, Scarlett Johansson, Sarah Paulson, Dan Lauria, Daniel Hubbert, Johnny Simmons, Seychelle Gabriel, Michael Milhoan, John Cade, David Wiegand, Chad Brummett, Richard Portnow, Mark Delgallo, Stana Katic, Aaron Toney, Dean Squibb, Meeghan Holaway, Al Goto, Roman Tissera, Frank Bond, Hugh Elliot, Robert Douglas Washington, Bill Pope, Benjamin Petry, Marina Lyon, Paul Levitz, Emily Cheung, Keith Kuhl, Cayley Bell, Jasmine Mohamed, Paz Vega, T. Jay O'Brien, Rio Alexander, Drew Pollock, Robert Anthony Brass, Genia Michaela, Michael-David Aragon, William Arute, Burly Cain, Pamela Finley e Foued Zayani.
Há alguns anos circulava por ai um comercial que tinha o seguinte slogan: “imagem não é nada, sede é tudo”. Traçando um paralelo com The Spirit, se você está sedento por ver um bom filme esteja certo que não é com esta produção que você vai se saciar.
A exemplo de Sin City – A Cidade do Pecado, temos aqui um visual impactante, bastante fiel a linguagem dos quadrinhos. A utilização do contraste entre tons de cinza e cores quentes, como o vermelho, por exemplo, garante um aspecto que chega a impressionar pela sua beleza e plasticidade em algumas cenas.
Mas se os aspectos visuais tiveram uma atenção especial o mesmo não se pode dizer da narrativa escolhida. Em primeiro lugar há que se deixar claro que fidelidade de transposição de uma obra de um meio para outro não significa, de modo algum, fazer uma cópia. Cinema e literatura (nesse caso HQ) podem ter visuais parecidos, mas o ritmo e a linguagem são completamente diferentes.
O tom mais reflexivo, quase introspectivo, que funciona muito bem na obra literária, raramente deixa de ser um monólogo arrastado e forçado quando levado ao pé da letra para as telas. The Spirit abusa desses momentos, com longas divagações remetendo a flashbacks importantes para a história, mas apresentados de uma forma equivocada.
Em meio às cenas exageradas de violência (porém interessantes), o roteiro se presta a momentos de poesia e referências aos westerns descabidas e sem muito bom senso. A impressão que se tem é que cada coisa deveria ter um simbolismo fácil e acessível ao público, mas tudo isso é apresentado de forma descontextualizada, tornando The Spirit uma colagem de cenas engessadas que se prestam meramente aos aspectos visuais.
No meio da trama, por exemplo, há uma cena em que Octopus (Samuel L. Jackson) e Silken Floos (Scarlett Johansson) encenam uma mini peça teatral diante de Spirit (Gabriel Mach), com roupas nazistas, que é tão desnecessária e mal colocada que o que deveria ser um momento de clímax e tensão se transforma em algo bobo e constrangedor.
Samuel L. Jackson nitidamente se destaca entre as atuações. No entanto, nesse caso, isso não é mérito algum já que sua interpretação aqui é mediana, enquanto os demais apenas se limitam a “recitar” suas longas falas “adaptadas” da versão original.
Lamentável que Frank Miller, autor de obras como Sin City ou Os 300 de Esparta tenha uma estréia tão pífia na direção. Não por falta de qualidade da obra original ou por falta de talento. Mas pela insistência em querer fazer da tela do cinema um grande gibi. Como diretor, Frank Miller continua sendo um ótimo quadrinista.