Kate Beckinsale, Gabriel Macht, Tom Skerritt, Columbus Short, Alex O'Loughlin, Shawn Doyle, Joel S. Keller, Jesse Todd, Arthur Holden, Erin Hickock, Bashar Rahal, Julian Cain, Dennis Keiffer, Andrei Runtso, Roman Varshavsky, Steve Lucescu, Paula Jean Hixson, Craig A. Pinckes, Sean Tucker, Marc James Beauchamp, Nick Villarin, Louis Dionne e Patrick Sabongui. |
Adaptações literárias ou de quadrinhos para o cinema são sempre cercadas de mistérios e expectativas para aqueles que conhecem a obra original. Se por um lado há um desejo de que ela seja o mais fiel possível ao texto de origem, por outro é natural que a versão para o cinema precise de alguns retoques que, nem sempre, fazem com que o resultado final seja melhor, ou ao menos tão bom quanto, o material original.
Terror na Antártida, infelizmente, joga no time das adaptações não muito bem sucedidas. Em primeiro lugar há que se deixar claro que a trama da HQ Whiteout – Morte no Gelo é apenas uma referência para a versão do cinema. Não há fidelidade ao perfil dos personagens nem tampouco a sequência de acontecimentos retratada na versão dos quadrinhos. Até aí tudo bem, afinal uma obra cinematográfica não tem obrigação de ser uma adaptação fiel do que quer que seja. Ela deve existir com uma personalidade própria. E é justamente aqui que reside o grande problema do filme.
Apresentando uma história linear e previsível, a produção alterna momentos de suspense e de perseguição policial que convencem em poucos momentos e se apresentam inverossímeis e forçados em muitos outros. Na trama acompanhamos a policial Carrie Stetko (Kate Beckinsale) que investiga uma série de assassinatos ocorridos em uma base na Antártida, às vésperas da chegada de um período crítico de inverno, onde todos os habitantes do local são obrigados a se retirar.
Kate Beckinsale (Anjos da Noite - A Evolução), a exemplo de outras produções, consegue sustentar de maneira interessante o papel de uma mulher durona. Sua atuação aqui não é nada de excepcional, mas nada que comprometa. O que não soa bem em Terror na Antártida são dois elementos fundamentais da produção: seu roteiro e o estilo de edição adotado. Vamos por partes.
O que se espera de uma história de suspense ou de uma trama policial? Entre muitas opções que poderíamos citar, podemos escolher “surpresas” e “enigmas” como dois elementos fundamentais para uma boa história. E, em linhas gerais, vemos muito pouco de ambos em Terror na Antártida. O desenvolvimento da história é linear, ou seja, os fatos vão sendo apresentados de maneira contínua e sem muito espaço para repercussão ou reflexão por parte dos personagens. Tudo se resolve muito rápido e de uma maneira que não parece desafiante para os personagens. O reflexo disso para o espectador é a previsibilidade, já que como não há tempo para reflexão, a primeira suposição que surge invariavelmente é confirmada. De fato, são raros os momentos em que há uma tensão real no filme e os enigmas apresentados não parecem ser tão complicados assim.
A falta de tensão e um conflito morno entre protagonistas e antagonistas têm reflexo em um segundo, e não menos importante item, a edição. Com poucos momentos de contraposição e com um roteiro que se limita a apresentar fatos e pistas que, seguidamente, se confirmam o grande inimigo do elenco Carrie Stetko acaba sendo o elemento visual mais presente em todo o filme: a neve. É contra ela que Stetko precisa lutar no momento em que, por exemplo, fica presa juntamente com seu piloto Delfy (Columbus Short) e o investigador do FBI Robert Pryce (Gabriel Match) em um avião soterrado. Também parece ser a neve a maior vilã quando Carrie precisa fugir de um assassino com uma picareta nas mãos tentando matá-la ou mesmo no clímax final do filme.
Com inimigos pouco intimidadores e uma condução previsível, Terror na Antártida acaba se tornando monótono depois de pouco mais de 40 minutos e, para desgosto do espectador, mantém o ritmo até o final. Longe de se apresentar como uma produção interessante, Terror na Antártida apenas recicla alguns clichês dos gêneros policial e suspense e os apresenta com uma roupagem inspirada na HQ original. O resultado final além de enfadonho é frio, assim como a neve da Antártida.
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