Chris Pine, Zachary Quinto, Leonard Nimoy, Eric Bana, Bruce Greenwood, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Ben Cross, Winona Ryder, Chris Hemsworth, Jennifer Morrison, Rachel Nichols, Faran Tahir, Clifton Collins Jr., Antonio Elias, Sean Gerace, Randy Pausch, Tim Griffin, Freda Foh Shen, Kasia Kowalczyk, Jason Brooks, Sonita Henry, Kelvin Yu, Marta Martin, Tavarus Conley, Jeff Castle, Billy Brown, Jimmy Bennett, Greg Grunberg, Spencer Daniels, Jeremy Fitzgerald, Zoe Chernov, Max Chernov, Jacob Kogan, Lorenzo James Henrie, Colby Paul, Cody Klop, Akiva Goldsman, Anna Katarina, Douglas Tait, Tony Guma, Gerald W. Abrams, James McGrath, Jason Matthew Smith, Marcus Young, Bob Clendenin, Darlena Tejeiro, Reggie Lee, Jeffrey Byron, Jonathan Dixon, Tyler Perry, Ben Binswagner, Margot Farley, Paul McGillion, Lisa Vidal, Alex Nevil, Kimberly Arland, Sufe Bradshaw, Jeff Chase, Charles Haugk, Nana Hill, Michael Saglimbeni, John Blackman, Jack Millard, Shaela Luter, Sabrina Morris, Michelle Parylak, Oz Perkins, Amanda Foreman, Michael Berry Jr., Lucia Rijker, Pavel Lychnikoff, Matthew Beisner, Neville Page, Jesper Inglis, Greg Ellis, Marlene Forte, Leonard O. Turner, Mark Bramhall, Ronald F. Hoiseck, Irene Roseen, Jeff O'Haco, Scottie Thompson, Deep Roy, Majel Barrett e Rahvaunia. |
J. J. Abrams surgiu para o mundo do cinema na década de 90 como roteirista. Seus primeiros trabalhos demonstraram uma certa versatilidade, mas nada que chamasse muita atenção. Foi assim na comédia Milionário Num Instante, em 1990, no bom drama Uma Segunda Chance, estrelado por Harrison Ford em 1991, e em Eternamente Jovem, estrelado por Mel Gibson em 1992.
Seu primeiro flerte com a ficção científica veio acompanhado de um sucesso, embora de qualidade duvidosa. É de J. J. Abrams o roteiro do açucarado Armageddon que, entre outras coisas, serviu para vender bastante trilha sonora (quem não se lembra da canção “I don’t wanna miss a thing”, que martelou por meses nas rádios na voz de Steve Tyler e o seu Aerosmith).
E foi atraído pelo gosto do açúcar que J. J. Abrams caminhou para a TV, criando a já extinta e, de certa forma, bem sucedida série Felicity em 1998, onde contava as aventuras e desventuras de uma jovem universitária. Até que em 2004, algo mudaria sua vida.
Foi nesse ano que o seriado Lost entrou no ar. Da noite para o dia, Lost se tornou um fenômeno cultural, arrebatando milhões de fãs e, praticamente, fazendo renascer o gosto pelas séries, numa proporção que, pelo menos até agora, só tem crescido.
O sucesso o habilitou a dar as cartas pela primeira vez no mundo de Hollywood. Assim, em 2006 Tom Cruise entregou em suas mãos Missão Impossível 3, e o nova-iorquino Abrams não decepcionou. Um ano depois, e inspirado na sua própria criação, levou aos cinemas sua criatura em Cloverfield - Monstro. O filme dividiu opiniões, mas seu impacto foi unânime.
E foi com essas credenciais que J. J. Abrams chegou ao mundo de Jornada nas Estrelas. O que alguém, assumidamente “não-fã” da série que atravessou quatro décadas e segue cultuada como um objeto de devoção por milhões de “trekkers” no mundo, poderia fazer por uma franquia que sobrevivia na UTI, bastante adoecida por uma recente safra ruim de filmes, e alimentada apenas pelas fartas glórias do seu passado?
Bem, Abrams aceitou o desafio. E como quem dá as cartas em um jogo ousou transgredir e romper com o “cânone” sagrado dos fãs, evidentemente, encontrando muita resistência. O resultado de tudo isso? “Completamente ilógico, mas fascinante”, para usar as palavras consagradas por Spock na série original.
É impossível não se arrepiar ao ouvir o clássico tema de Star Trek, agora com um novo arranjo, mais moderno e suntuoso, ainda nos créditos de abertura do filme. A sensação que temos é a de que reencontramos um velho amigo, de longa data, que passou por maus bocados, mas que se apresenta ali outra vez na tela grande como uma serenidade e um vigor que os anos não parecem ter sido capazes de destruir.
O som de um alarme, cuidadosamente inserido em um momento de silêncio, nos remete diretamente a um passado não tão longínquo (aliás, na cronologia da série, a um futuro muito distante) e, assim, mergulhamos nos últimos instantes da nave estelar USS Kelvin, comanda pelo capitão Robau e, em seguida, por George Kirk que, à bordo de uma nave condenada por um ataque romulano, oferece o seu sacrifício em troca da vida da tripulação.
É o seu ato heróico que ecoará na próxima geração e é justamente motivado por ele que o seu jovem e rebelde filho, James T. Kirk (Chris Pine) é sabiamente conduzido à academia da Frota Estelar pelo Capitão Pike (Bruce Greenwood).
E é aqui neste prelúdio, onde Kirk conhece o Dr. McCoy (Karl Urban) e Spock (Zachary Quinto), nunca visto até então, que se revelam alguns dos mistérios mais sagrados da série, e onde também há o maior número de “licenças poéticas” em prol da história que Abrams julgou ser mais relevante contar.
A mitológica trapaça de Kirk no intransponível teste conhecido como Kobayashi Maru é mostrada em todos os seus detalhes – inclusive dando os devidos créditos ao seu criador (que deve causar mais espanto que o teste em si). Na trama, o resultado do teste é de suma importância, uma vez que é ele quem irá estabelecer os conceitos inicias nas relações dos principais nomes da futura tripulação da Enterprise.
A ironia fina, tão característica na série clássica, aqui também encontra espaço e consegue, de forma satisfatória, fazer com que o espectador se envolva com o lado humano dos personagens, deixando de lado até mesmo toda a tecnologia e “ficção científica” propriamente dita.
À bordo da Enterprise – às custas apenas de sua vontade – Kirk se mostra ousado, abusado, inteligente e ansioso por fazer a diferença, tamanha é a auto-confiança e petulância com que discute, de igual pra igual, com o capitão e com seus superiores.
O resultado é um personagem carismático que, sem dúvida, caberia como uma luva no passado do capitão Kirk de William Shatner, um homem de personalidade forte e que sabe conciliar a inteligência e o aconselhamento dos seus dois imediatos.
Assim como o trio, Sulu (John Cho), Chekov (Anton Yelchin), Uhura (Zoe Saldana) e Scotty (Simon Pegg), se apresentam muito bem, tendo muito mais destaque do que tiveram seus personagens no passado, e sendo igualmente colaborativos e protagonistas, e não meros coadjuvantes à mercê do comando ou da própria nave. Todos têm sua vida própria na trama e são suas particularidades que fazem da nova tripulação uma equipe, no melhor sentido da palavra. Mesmo Eric Bana, um ator do quem tenho algumas ressalvas quanto seu trabalho, encarna o vilão Nero naquele que é, até aqui, talvez a sua melhor atuação na carreira, o que é o suficiente para colocá-lo no mesmo nível do espírito do elenco.
Aliás, “equipe” parece ser o segredo de Star Trek. Além do ótimo roteiro tudo parece funcionar muito bem. Os efeitos especiais – sem dúvida os mais belos já vistos em toda a história da franquia – trabalham em função do filme e não, sobrepostos ou como referências dela. O mesmo acontece com o som, que tem um papel fundamental na produção. Ainda quando da sua ausência (nas cenas de batalha, onde a câmera nos coloca “no espaço” fora da nave, conseguimos perceber pelo som a diferença de ambiente, criando mesmo uma sensação de vácuo e, conseqüentemente, uma quebra no acelerado ritmo do filme, necessária para que o espectador possa tomar fôlego em embarcar em uma nova sequência).
A cereja do bolo fica por conta da trilha sonora. Composta por Michael Giacchino (que curiosamente começo sua carreira compondo trilha para jogos de vídeo game e é mais conhecido também por seu trabalho em Lost), as canções são inspiradas na trilha original criada por Alexander Courage, que vão do suave ao grave de uma maneira sutil e bastante pertinente às cenas.
Mesmo se permitindo realizar várias quebras na literatura “trekker”, talvez seja de Abrams a maior homenagem às suas origens. A participação de Leonard Nimoy, a própria personificação do Spock, não é secundária, mas de suma importância. Seu personagem não está ali para ser homenageado ou para constar nos créditos. Sem ele, todas as quebras de paradigma, as viagens no tempo propostas e as realidades alternativas não só não seriam possíveis como, também seriam inverossímeis e tornariam Star Trek um monstrengo confuso, já que lá por 1h20 de filme a produção caminha sobre uma linha tênue para não dar um nó na cabeça do espectador.
Ver Nimoy dando vida novamente a Spock e utilizando algumas falas cuidadosamente extraídas de outros filmes e séries, e ainda se permitindo algumas sacadas originais, emociona e justifica o que, em tese, seria injustificável.
Sim, Star Trek está de volta. Revitalizado, renovado e no melhor de sua forma, com uma garantia de que sua vida em meio aos novos fãs deverá ser longa e próspera nos próximos anos. E essa renovação, acontece, como toda a série, de uma maneira singular: é olhando com carinho para seu o passado que Jornada nas Estrelas se reencontra com o seu futuro. |