Patton
Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Brian Dennehy, Peter Sohn,
Peter O'Toole, Brad Garrett, Janeane Garofalo, Will Arnett,
Julius Callahan, James Remar, John Ratzenberger, Teddy Newton,
Tony Fucile, Jake Steinfeld e Brad Bird. |
“De
certa forma o trabalho de um crítico é fácil.
Nos arriscamos pouco e temos prazer em avaliar com superioridade
os que nos submeteram seu trabalho e reputação.
Ganhamos fama com críticas negativas e que são
divertidas de se escrever e ler. Mas a dura realidade que
nós críticos devemos encarar é que,
no quadro geral, a mais simples porcaria talvez seja mais
significativa que a nossa maior crítica. Mas há
vezes em que um crítico arrisca de fato alguma coisa,
como quando de repente descobre uma novidade. O mundo costuma
ser hostil aos novos talentos e às novas criações.
O novo precisa ser incentivado.”
O mundo sempre foi receptivo aos desenhos animados. Gostamos
de ver na tela as infinitas possibilidades de animais, objetos
e tudo mais que a mente humana possa ser capaz de pensar,
de forma animada, falando e criando em mundo tão
imaginário quanto os nossos sonhos permitirem. As
animações nos despertam um lado lúdico,
nos fazem voltar a ser crianças e nos permitem enxergar
o mundo com outros olhos.
No passado, a magia de Walt Disney nos trouxe em imagens
os contos de fada que ensinaram várias gerações,
como Branca de Neve e os Sete Anões, Pinocchio, Chapeuzinho
Vermelho, entre muitos outros. Nos dias de hoje, os traços
refinados dos desenhistas deram espaço aos cliques
precisos dos projetistas de animação. Essa
renovação nos trouxe “novos clássicos”
como Toy Story, Procurando Nemo e Shrek, com personagens
que ainda vão habitar a memória de adultos
e crianças por muitas e muitas gerações.
Dificilmente vemos críticas negativas sobre um desenho
ou animação. É como se tivéssemos
uma certa complacência natural, perdoando erros e
pequenas falhas que em tese não comprometam a história,
uma vez que a proposta inicial permaneça inalterada
e a mensagem final chegue ao espectador. Com isso, sem dúvida,
muitos desenhos acabam sendo superestimados. Nos conquistam
por sua beleza e magia, mas nos esquecemos da parte técnica
– se é que ela é realmente tão
relevante assim para o público.
Foi assim que, apesar das ótimas críticas,
confesso que não fiquei nem um pouco ansioso para
ver a animação Ratatouille e, sendo assim,
não vi o filme nos cinemas. Esperei passar todo o
borburinho e a infinidade de críticas e matérias
sobre o assunto para ver o filme em DVD e confirmar ou não
tudo aquilo que li anteriormente. A princípio a idéia
de um rato se misturar a culinária não parece
receptiva. Mas ao ter início o filme, não
demoramos mais do que cinco minutos para perceber o quanto
podemos estar enganados.
Ratatouille não é mais um filme de animação
com um bichinho engraçadinho que no final nos dá
uma lição de moral. Por trás desta
simples aparência somos convidados a conhecer a história
do ratinho Remy, um roedor de olfato apurado e com um talento
único para cozinhar. Remy não é como
seus demais amigos. Ele admira os seres humanos pela sua
“criatividade” e pelas possibilidades que têm
de inventar coisas novas e apreciar o que realmente é
bom e sonha, de alguma forma, tomar parte naquele mundo,
ainda que seja visto como uma peste ou símbolo de
algo deplorável.
O roteiro bem-construído apresenta diversas situações
de confronto de ideais – interesses da família
vs. interesses pessoais; seguir um sonho vs. desistir ante
às dificuldades; ser honesto vs. levar vantagem –
todas muito bem resolvidas e pertinentes à trama.
É bem verdade que, ao final, nos vemos de novo diante
do confronto de valores e “lições de
moral”. Não importa. Ratatouille é bom
professor e sua aula é cativante e encanta crianças
e, principalmente, adultos que podem se sentir constrangidos
diante de alguns preconceitos que todos nós carregamos.
Ratatouille é, sem dúvida, uma obra marcante
e, a despeito das continuações que possam
vir (afinal, para a grande indústria do cinema parece
que uma continuação nunca é demais)
Remy tem seu lugar garantido entre os personagens clássicos
do cinema. E se a palavra de ordem é acreditar sempre
em nossos sonhos e procurar torna-los realidade, nada melhor
que a magia da sétima arte para nos fazer “embarcar”
nas mais inesperadas viagens que o destino possa nos conduzir.
Afinal, quem melhor do que ele para a cada dia nos surpreender? |