A
polícia infiltra um homem no grupo comandado por um chefe do crime
organizado, que também consegue infiltrar uma pessoa na polícia.
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Ficha Técnica ..::
Título
Original: The Departed.
Origem: Estados Unidos, 2006.
Direção: Martin
Scorsese.
Roteiro: William Monahan, baseado em roteiro de Siu Fai
Mak e Felix Chong.
Produção: Jennifer Aniston, Brad Grey, Graham
King, Brad Pitt e Martin Scorsese.
Fotografia: Michael Ballhaus.
Edição: Thelma Schoonmaker.
Música: Howard Shore.
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Elenco ..::
Leonardo DiCaprio, Matt
Damon, Jack Nicholson, Mark
Wahlberg, Martin Sheen, Ray Winstone, Vera Farmiga, Anthony Anderson, Alec Baldwin, Kevin Corrigan,
James Badge Dale, David O'Hara, Mark Rolston, Robert Wahlberg, Kristen
Dalton, J.C. MacKenzie, Mary Klug, Saurman Holzemer Peg, Robert 'Toshi'
Kar Yun Chan, Gurdeep Singh, Armen Garo, John Cenatiempo, Joseph Riccobene,
Billy Smith, Lyman Chen, Kevin P. McCarthy, Chris Fischer, Brian Smyj,
William Severs, Larry Mitchell, Anthony Estrella, Andrew Breving, Tracey
Paleo, Douglas Crosby, Dorothy Lyman, Audrie J. Neenan, Conor Donovan,
Amanda Lynch, Sallie Toussaint, Patrick Coppola, Mick O'Rourke, Deborah
Carlson, Nellie Sciutto, Peter Welch, Henry Yuk, Dennis Lynch, Michael
Byron, William Lee, John Rue, Peter Crafts, Joseph P. Reidy, Brian Haley,
Terry Serpico, Jay Giannone, John Polce, Bo Cleary, David Conley, Victor
Chan, Jill Brown, Sarah Fearon, Tom Kemp, Denece Ryland, Zachary Pauliks,
Johnny Cicco, Chance Kelly, Shay Duffin, John McConnell, Mark Philip Patrick,
David Fischer, Walter Wong, Francesca Scorsese, Emma Tillinger, Craig
Castaldo, Brendan Burke, Paddy Curran, Paula Demers, Buddy Dolan, Thomas
B. Duffy, John Farrer, Dick Hughes, Francis P. Hughes, Paris Karounos,
Steve Lord, Frank Mallicoat, Alex Morris, Daniel F. Risteen Jr., Kenneth
Stoddard, Conor Timmis, Jeffrey Winter e Tony M. Yee.
Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme / Drama, Melhor Diretor, Melhor
Ator / Drama - Leonardo Di Caprio, Melhor Ator Coadjuvante - Jack Nicholson
e Mark Wahlberg e Melhor Roteiro.
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Saiba mais ..::
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Crítica ..::
Algumas
pessoas se adaptam a realidade do meio em que vivem. Outras preferem adaptar
o meio em que vivem à sua realidade. Martin Scorsese certamente
pertence ao segundo grupo, dos que não aceitam aquilo que lhe é
imposto, dos que fogem àquilo que não é convencional.
Dos que são gênios por ousar ser apenas diferentes daquilo
que todos esperam.
Scorsese carrega consigo o rótulo de injustiçado, por nunca
ter ganhado um Oscar. Oportunidades não faltaram. Touro Indomável,
Táxi Driver, Cassino, Os Bons Companheiros, Gangues de Nova York,
O Aviador... A lista de filmes dignos do prêmio mais cobiçado
do cinema é imensa. Em todas as ocasiões ele era tido como
o favorito. Em todas elas perdeu. E quem se importa?
Em Os Infiltrados não é diferente. Certamente a nova produção
de Scorsese está entre as melhores de 2006. Certamente ele será
indicado ao Oscar e despontará como um dos favoritos ao prêmio.
Mas ganhar a estatueta? Incógnita. E quem se importa?
Poucas pessoas como ele têm uma obra tão consistente e repleta
de “sutilezas” sobre o american way of life. Mostrar a América
crua para os americanos, afirmar que os ratos não estão
do lado de fora e, sim, dentro do seu próprio sistema pode ser
um soco no estômago duro demais para ser admitido publicamente.
Dizer que o mea culpa com a vitória de Crash – No Limite
em 2005 foi uma confissão de que há algo de podre seria
leviano afinal com Brockeback Mountain no páreo a opção
foi escolher o menor dos males.
Os Infiltrados tem todos os elementos que se esperam de um ótimo
filme. A começar pelo seu roteiro inteligente, carregado de diálogos
tensos e ambíguos, porém eficientes e reflexivos. Os primeiros
dez minutos, por exemplo, são uma verdadeira aula de “lição
de vida” ministrada por nada menos que Jack Nicholson (impecável
no papel do poderoso chefão Costello).
Jack, aliás é apenas um dos pontos altos do excelente elenco
do filme. Matt Damon (Colin) e Leonardo DiCaprio (Billy) conseguem representar
personagens extremamente dúbios, sem se perder ou cair em estereótipos
e clichês do gênero. Damon novamente demonstra ser um dos
mais competentes atores da sua geração, com atuações
expressivas como em Syriana – A Indústria do Petróleo.
Leonardo Di Caprio também se apresenta muito bem, assim como em
seu último trabalho n’O Aviador. Jack Nicholson dispensa
maiores comentários e, em seu primeiro trabalho com Scorsese, apresenta
um chefão à sua maneira, dosando violência, bom humor
e inteligência.
O visual e a edição não fogem muito do convencional
dos filmes de Martin Scorsese. O que é uma ótima notícia.
Se não há inovação nesse quesito há,
mais uma vez, um trabalho repleto de detalhes e muito bem realizado. A
trilha sonora, como sempre, um show à parte. É interessante
notar como em um momento do filme uma antiga canção do Pink
Floyd serve para ilustrar uma cena de violência, seguida de uma
cena romântica. Os dois lados de uma mesma moeda, com uma só
representação.
Com um final bastante fora do convencional, Scorsese vai além e
mostra de uma maneira irônica um pouco do seu cinema. Um cinema
feito para ser mais do que um mero filme, mas que sabe rir de si mesmo
quando preciso. Algo que certamente o povo americano ainda não
consegue aceitar. Costello em um momento do filme diz: o que importa o
lado em que você está quando você se vê diante
de um revólver apontado em sua direção? Scorsese
atira para os dois lados, mas sua bala é certeira em ambos os casos.
Para alguns certamente será ousadia demais e, talvez, apesar do
mérito, seja difícil reconhecer e premiar mais um excepcional
trabalho do diretor. Mas quem se importa? Mais do que prêmios o
importante são as mensagens que ficam e, sem dúvida, em
Os Infiltrados Scorsese tem muito a dizer. Que Deus abençoe o cinema.