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::.. ONDE VIVEM OS MONSTROS ..::
::.. Sinopse ..::
Max, um garoto travesso, fica de castigo, preso em seu quarto, sem jantar. Usando a imaginação, ele cria uma floresta habitada por animais selvagens e monstros exóticos, onde ele é o rei.
::.. Ficha Técnica ..::
Título Original: Where The Wild Things Are.
Origem:
Estados Unidos, 2009.
Direção:
Spike Jonze.
Roteiro:
Spike Jonze e Dave Eggers, baseado em livro de Maurice Sendak.
Produção:
John B. Carls, Gary Goetzman, Tom Hanks, Vincent Landay e Maurice Sendak.
Fotografia:
Lance Acord.
Edição:
James Haygood e Eric Zumbrunnen.
Música:
Carter Burnwell e Karen Orzolek.
::.. Elenco ..::
Max Records, Pepita Emmerichs, Max Pfeifer, Madeleine Greaves, Joshua Jay, Ryan Corr, Catherine Keener, Steve Mouzakis, Mark Ruffalo, James Gandolfini, Paul Dano, Catherine O'Hara, Forest Whitaker, Michael Berry Jr., Chris Cooper e Lauren Ambrose.
::.. Site Oficial ..::
http://wherethewildthingsare.warnerbros.com/
::.. Premiações ..::
Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora.
::.. Saiba mais ..::
O orçamento de Onde Vivem os Monstros foi de US$ 100 milhões.
::.. Trailer ..::
::.. Crítica ..::

Spike Jonze definitivamente não é um cineasta convencional. Sua filmografia consegue abraçar desde produções dignas de reconhecimento e reflexão, como Adaptação e Quero Ser John Malkovich, até pérolas do grotesco como a série Jackass, obras tão díspares quanto água e óleo. Felizmente, Onde Vivem os Monstros se enquadra no primeiro grupo, mas da mesma forma é difícil olhar para ele e dizer que se trata de apenas mais um filme qualquer. Não é.

Adaptado do clássico livro infantil de Maurice Sendak, a produção se permite fazer diversas intervenções em relação à obra original, sem que a essência seja alterada. As intervenções são necessárias, uma vez que a versão literária praticamente não tem diálogos. O resultado é bastante agradável e, em partes, consegue despertar no espectador a mesma sensação que o livro despertou na infância de muitas pessoas.

Na trama acompanhamos o Max (Max Records), um garoto solitário e que mal recebe atenção da mãe e de sua irmã. Com uma criatividade fértil, Max inventa histórias a todo momento para fugir da realidade que o aflige. Depois de uma discussão com a mãe o menino foge e, em sua fuga, uma das histórias saídas de sua mente se torna “verdadeira”.

Ilustrando a travessia do real para o imaginário com uma viagem de barco através de um mar revolto, Max se vê em uma terra onde estranhas criaturas – monstros gigantes – vivem. Ao conhecê-las Max é confundido com uma espécie de rei e ganha a admiração de todos eles. E, é justamente na convivência com seres tão distintos e, por isso mesmo, imprevisíveis, que residem todas as ideias da produção.

Repleta de simbolismos, a jornada de Max em um mundo fictício onde tudo é possível acaba funcionando como uma espécie de provação para o amadurecimento do personagem. Em meio a criaturas com humores instáveis, medos e anseios confusos, o menino é obrigado a funcionar como uma espécie de conciliador entre sentimentos opostos.

A produção varia de momentos contemplativos e sublimes, em cenários amplos onde a figura humana é um mero detalhe em meio à paisagem, a sequências mais intimistas e repletas de diálogos. Embora bem construídos alguns deles tornam-se cansativos e soam como uma tentativa de explicar o que claramente já é mostrado na tela. Aliás, esse é um dos pequenos problemas de Onde Vivem os Monstros e que, talvez tenha explicação fora das telas.

Embora consiga um trabalho até certo ponto equilibrado e imprima a sua personalidade no filme, Onde Vivem os Monstros está longe de ser um trabalho independente, com a cara do diretor. Talvez pelo fato de o filme ter sido lançado por um grande estúdio, com um alto orçamento que precisa ter retorno, há momentos em que a sutileza dá lugar ao didatismo, tornando-o mais acessível ao grande público. Essa instabilidade entre o “autoral” e o “comercial” acaba por diminuir o impacto do filme, funcionando como uma folga para o espectador entra uma cena e outra que exija reflexão.

Outro ponto que chama atenção negativamente pelo seu excesso é a belíssima trilha sonora. Sim, o fato de ela ser bela não justifica o seu uso desmesurado. O resultado disso é que temos sequências em que a música passa a ser mais importante do que o filme, ganhando o primeiro plano, quando na verdade ela deveria existir em função da cena. O excesso, aliás, é responsável por transportar o espectador de maneira muito mais rápida e emotiva para dentro da história, algo que infelizmente nem sempre a trama por si só consegue fazer.

Diante de uma obra com tantas possibilidades, mesmo com diversos aspectos chamando atenção negativamente, é inegável o apelo da premissa do filme e a sua forte mensagem transmitida. Entrar no mundo idealizado por Max funciona como uma espécie de viagem no tempo e faz com que o espectador tenha vontade de voltar a ser criança, ao menos para fazer parte daquilo tudo que vê. A sensação que fica ao final é estranha: um misto de depressão e alegria, difícil de explicar. Depressão pelo fato daquele mundo não ser real e alegria por saber que, enquanto o ser humano puder sonhar, qualquer mundo pode ser real.

Pode não ser o melhor dos filmes de Spike Jonze, mas sem dúvida é cativante e digno de ser visto por crianças, jovens e adultos de todas as idades. Afinal o que importa aqui é a sua mensagem e o mundo precisa de mais sentimentos como esses.

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Wikerson Landim - wikerson@portaldecinema.com.br
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