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::.. O MENINO DA PORTEIRA ..::
::.. Sinopse ..::
Um peão conduz uma grande boiada até a fazenda de um major ganancioso. No caminho ele conhece um garoto, que sonha em um dia se tornar boiadeiro.
::.. Ficha Técnica ..::
Título Original: O Menino da Porteira.
Origem:
Brasil, 2009.
Direção:
Jeremias Moreira.
Roteiro:
Jeremias Moreira, Carlos Nascimbeni e Beto Moraes, baseado em canção de Teddy Vieira e Luizinho.
Produção:
Moracy do Val.
Fotografia:
Pedro Farkas.
Edição:
Manga Campion.
Música:
Nelson Ayres.
::.. Elenco ..::
Daniel, Vanessa Giácomo, José de Abreu, João Pedro Carvalho, Rosi Campos, Eucir de Souza, Antônio Edson, Valter Santos, Eduardo Chagas, Lui Strassburguer, Cláudia Missura, Zedu Neves, Carlos Meceni, Nélson Pires, Alcides Miranda, José E. Adorno, Antônio Gomes, José Ferro, José R. Scatolin, Paulo Agnelli, Edvar Miranda, Maria José Franco, Adair Luiz de Abreu, Abel Garcia, Aparecido Antônio Kelm, Carlos Alberto Amorim, Evandro Josiel Santos e Germano Pereira.
::.. Site Oficial ..::
http://www.omeninodaporteira.com.br/
::.. Premiações ..::
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::.. Saiba mais ..::
Refilmagem de O Menino da Porteira (1976).

Jeremias Moreira foi também o diretor da versão original do filme.

"O Menino da Porteira", música que serviu de inspiração para o roteiro do filme, foi gravada pela 1ª vez em 1955.

A versão anterior, de 1976, levou 4,5 milhões de pessoas aos cinemas.
::.. Crítica ..::

Se você é brasileiro e está lendo essa crítica, certamente, gostando ou não, em algum momento da sua vida já ouviu, nem que seja de relance a canção O Menino da Porteira. Gravada pela primeira vez em 1955, a música se tornou uma das mais emblemáticas do gênero sertanejo, sendo regravada posteriormente por diversos outros cantores e duplas ao longo de mais de meio século.

Porém foi a versão gravada por Sérgio Reis, e que virou filme em 1976, dirigido pelo mesmo Jeremias Moreira, que entrou pra posteridade. À época a produção levou mais de 4,5 milhões de pessoas aos cinemas, público excepcional para os dias de hoje.

A produção retrata um Brasil que já não mais existe. A figura do boiadeiro tocando gado pelo meio do sertão brasileiro deu lugar ao transporte ferroviário e rodoviário, deixando o clima de nostalgia apenas para a tela dos cinemas. Aliás, cinema esse que também não é mais o mesmo. Se o forte das produções sertanejas e populares da época era a presença de público nas salas do interior, hoje nos municípios menores elas praticamente não mais existem – deram lugar em geral a igrejas evangélicas.

Mas porque uma obra tão sertaneja ainda encontra apelo popular, mesmo na cidade grande, onde os cinemas ficaram restritos a shoppings centers? Do maldito ao erudito, o sertanejo se repaginou e encontrou na onda country uma maneira de ser aceito junto ao público jovem. As músicas, que em geral falavam sobre a natureza, ou o gado, passaram a versar sobre o romance, o amor e as festas de final de semana. O ritmo, calcado anteriormente apenas em no máximo duas violas, deu espaço para guitarras, baterias, baixos e outra infinidade de instrumentos.

Então qual o papel de O Menino da Porteira no cinema da atualidade? Poucas pessoas, em especial o público jovem, viram ou lembram da versão de 33 anos atrás. E se a canção ficou marcada, o filme, de roteiro simplório e qualidade técnica sofrível – como infelizmente muito do que se fazia na época no País – caiu no completo esquecimento. Seu resgate não é uma peça isolada.

Desde a retomada do cinema nacional, em 1994, cineastas e diretores brasileiros demoraram para reencontrar uma nova identidade. Dos filmes contestadores abordando a ditadura militar, passando pela explosão de violência no meio e urbano e os relatos de fome e pobreza do Nordeste, foram mais de dez anos para que, na crescente produção nacional, nichos de mercado pudessem surgir. Assim, com o lançamento e conseqüente sucesso de 2 Filhos de Francisco, em 2005, o Brasil que é possível voltar a ter sucesso comercial, com filmes populares, e que tem público cativo. O que, por si só, já é motivo dar crédito a produções como essa.

O filme? Bem O Menino da Porteira continua com o mesmo roteiro simples, ponteado por diversas canções tradicionais sertanejas, na voz do cantor Daniel. Sim, cantor, pois ele não tem formação de ator. Mas sua atuação, nos poucos diálogos a que se submete – já que o seu personagem, o peão de boiadeiro Diogo é quase monossilábico – não compromete. Entre os atores o mérito maior é de José de Abreu, que na figura do major Batista, dono da fazenda Ouro Fino, consegue um personagem equilibrado, com traços caricatos e imponentes que acrescentam muito ao clima da trama.

Nem mesmo o final à moda western atrapalha. Tudo aqui não passa de entretenimento, com muita simplicidade e sem maiores pretensões artísticas. Como sempre foi a filosofia do sertanejo. Como foi um dia, quem sabe o futuro do cinema não esteja novamente no interior? Afinal é só com o aumento de salas nas pequenas cidades, que voltaremos a ter uma boa quantidade de filmes nacionais com bilheterias passando da casa de dois milhões de espectadores.

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Wikerson Landim - wikerson@portaldecinema.com.br
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