A apresentação de uma mágica revolucionária faz com que outro mágico, que é seu rival há anos, busque meios de descobrir como ela acontece.
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Ficha Técnica ..::
Título
Original: The Prestige.
Origem: Estados Unidos / Inglaterra, 2006.
Direção: Christopher Nolan.
Roteiro: Jonathan Nolan e Christopher Nolan, baseado em livro de Christopher Priest.
Produção: Christopher Nolan, Aaron Ryder e Emma Thomas.
Fotografia: Wally Pfister.
Edição: Lee Smith.
Música: David Julyan.
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Elenco ..::
Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Piper Perabo, Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Samantha Mahurin, David Bowie, Andy Serkis, Daniel Davis, Jim Piddock, Christopher Neame, Mark Ryan, Roger Rees, Jamie Harris, Monty Stuart, Ron Perkins, Ricky Jay, J. Paul Moore, Anthony De Marco, Chao Li Chi, Gregory Humphreys, John B. Crye, William Morgan Sheppard, Sean Howse, Julie Sanford, Ezra Buzzington, James Lancaster, Olivia Merg, Zoe Merg, Johnny Liska, Russ Fega, Kevin Will, Edward Hibbert, Christopher Judges, James Otis, Sam Menning, Brian Tahash, Scott Davis, Jodi Bianca Wise, Nikki Glick, Enn Reitel, Clive Kennedy, Rob Arbogast, Chris Cleveland e Carrie Frymer.
Indicado ao Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.
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Saiba mais ..::
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Crítica ..::
Magia
e ciência sempre andaram em caminhos opostos. Enquanto uma dizia
ter todas as explicações, a outra buscava explicações
para tudo. Ironia do destino ou não, quando magia e ciência
decidiram se juntar criaram um fenômeno singular chamado cinema.
Os primeiros cineastas eram mágicos em sua essência. Georges
Mélies potencializou as possiblidades de um então novo equipamento,
menina dos olhos da ciência, a câmera. Com seus truques e
com sua visão artística, talvez fossem os mágicos
os que melhor conciliaram em algum momento o emocional e o racional.
Christopher Nolan não é um cineasta convencional. Seus filmes,
como poucos, conseguem ir a fundo em um tema sem torná-lo desgastante
e sem para isso precisar recorrer a obviedades. Nolan, à medida
que constrói, desconstrói com muita habilidade seus roteiros,
tirando de histórias simples novas possibilidades e criando brilhantes
enigmas e desfechos para suas produções. Foi assim em Amnésia,
quando num belo trabalho de edição contou uma história
de trás pra frente, com uma simplicidade bastante ousada. Foi assim
em Batman Begins, quando resgatou das trevas e trouxe para sua essência
original o homem-morcego, desgastado por produções caricatas
e superficiais.
O Grande Truque é mais
um triunfo de Nolan. Contar uma história envolvendo os truques
de magia parece, a primeira vista, simples e sem graça devido aos
recursos do cinema. Mas Nolan consegue transformar o duelo entre dois
mágicos em uma obra sobre os limites da obsessão.
A história se passa em Londres, no final do século XIX.
Angrier (Hugh Jackman) e Borden (Christian Bale) são dois mágicos
que começam juntos no trabalho e têm o mesmo mentor Cutter
(Michael Caine). Enquanto Borden desenvolve um talento sem igual para
a prestidigitação, Angrier é um verdadeiro showman,
com uma presença de palco e uma postura que fazem com que seu sucesso
seja imediato. A rivalidade se acirra quando Borden apresenta um novo
truque – o homem teletransportado – o que causa a inveja e
inicia a obsessão de Angrier em descobrir como é feito o
truque.
Fragmentada em três partes, a história tem em seu roteiro
um dos pontos altos da trama. Sua desconstrução é
feita com tamanha maestria que é praticamente impossível
prever um dos enigmas finais. Ao longo do filme, são dezenas de
pistas falsas apresentadas. A Promessa, A Grande Virada e O Grande Truque
são os termos utilizados para se fazer uma alusão convincente
às regras do mundo da magia.
Nolan sabe se utilizar da linguagem mágica e da maneira como o
público recebe uma história para brincar com ela e conduzi-la
com segurança até um desfecho inesperado.
Bale e Jackman conseguem compor personagens totalmente antagônicos
e mostram porque são dois dos mais talentosos atores da nova geração.
Caine, como sempre, está muito bem (inclusive alterando o seu tom
de voz para não pender para nenhum dos lados). Scarlett Johansson
tem uma atuação discreta, porém em um papel importante
e chave para a história.
O Grande Truque mostra-se uma produção competente e Nolan
firma-se definitivamente como um dos mais talentosos diretores dos últimos
anos, com uma boa seqüência de trabalhos. Sem dúvida,
uma das melhores surpresas de 2006