Tom
Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Alfred Molina, Jürgen Prochnow,
Paul Bettany, Jean Reno, Etienne Chicot, Jean-Pierre Marielle, Clive Carter,
Seth Gabel, Marie-Françoise Audollent, David Bark-Jones, Jean-Yves
Berteloot, Daisy Doidge-Hill, Joe Grossi, Paul Herbert, Arnaud Klein,
Dhaffer L'Abidine, Michael Norton, Peter Pedrero e Harry Taylor. |
Nos
últimos anos, poucos filmes foram tão aguardados e cercados
de mistério e polêmica como O
Código Da Vinci. Com mais de 40 milhões de exemplares
vendidos, o romance de Dan Brown que dá origem à produção
é, sem dúvida, até o momento a obra mais comentada
e, certamente, uma das mais influentes deste novo século.
Não pela sua qualidade literária, apontada pelos críticos
como sendo de caráter duvidoso, mas pela popularidade que adquiriu
ao contestar “verdades absolutas” como a divindade de Jesus
Cristo que, segundo o autor, teria tido uma esposa, Maria Madalena, e
com ela um filho, derrubando, assim, toda a base de sustentação
da igreja católica.
Estamos tratando em ambos os casos, no livro e no filme, de uma obra de
ficção (por mais pré-conceituoso que possa ser o
termo nesse caso) e, por isso, não cabe aqui a discussão
se os fatos abordados em O Código são verdade ou mito. E
embora um livro e um filme precisem utilizar linguagens completamente
distintas, o que os torna independentes um do outro, a comparação
é inevitável, apesar de não ser recomendável
para a análise da produção audiovisual.
O fio condutor de Da Vinci é Robert Langdon (Tom
Hanks), um renomado simbologista que após o assassinato do
diretor do Museu do Louvre Jacques Sauniére se vê acusado
de ter cometido o crime. Acuado ele é auxiliado pela policial Sophie
Marciau (Audrey Tautou), neta de Sauniére, para quem são
deixadas uma série de pistas que, ao que tudo indicam, levam ao
Santo Graal, artefato secular que estaria sendo protegido pelo Priorado
de Sião.
O roteiro do premiado Akiva Goldsman (Uma Mente Brilhante) é uma
adaptação bastante fiel à obra, com exceção
de algumas circunstâncias em que a história se desenvolve
e de alguns diálogos, o que não compromete a estrutura em
si do enredo. O fato de o livro ser conhecido de muitos pode causar a
sensação de que o filme não traz grandes novidades
em seu desenvolvimento. A obra é escrita em capítulos curtos,
com surpresas que acontecem constantemente, e são justamente essas
“viradas” rápidas que são o segredo do sucesso
de vendas. No filme a estrutura funciona, mas, ironicamente, aqueles que
ainda não leram o best-seller são os que mais irão
perceber e aproveitar sua fluência.
A direção de Ron Howard (A Luta Pela Esperança)
é outro ponto controverso. Do ponto de vista técnico é
perfeita e esse é o seu maior problema. Perfeita até demais.
Essa é uma das características de suas produções,
que parecem seguir a cartilha hollywoodiana de como “prender a atenção”
do espectador ao pé da letra, o que de fato decepciona quando se
trata de um tema tão controverso. A responsabilidade por “carregar”
um livro tão “caro” parece ter pesado sobre ele, que
opta por mais uma vez não fugir do convencional.
Tom Hanks e Audrey Tautou interpretam personagens que não exigem
muito de seus dotes. E, se não decepcionam, também não
surpreendem em momento algum. Ian McKellen (O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel)
se destaca em sua participação, com uma interpretação
segura e carismática. Alfred Molina (Homem-Aranha 2), Jean Reno
(Rios Vermelhos) e Paul Bettany,
este último em especial, não comprometem em seus papéis
coadjuvantes.
Assim como o livro não foi sucesso de crítica, o filme,
por esses e outros detalhes, também não deve ter boa aceitação
por parte da crítica cinematográfica, mas assim como o livro
de Dan Brown tornou-se um best-seller, o filme de Ron Howard estará
certamente entre as maiores bilheterias de 2006. Seu visual, ritmo e a
maneira como são passadas uma grande quantidade de informações
históricas em pouco mais de duas horas devem agradar em cheio o
público que costuma superlotar as grandes produções
de Hollywood. E com a polêmica em torno da vida de Cristo sendo
alimentada dia após dia na mídia e as demonstrações
de preocupação por parte da igreja católica, O Código
Da Vinci deve ter muito gás para vender ainda mais livros e causar
mais polêmica na ainda até o Natal, época em que mais
ou menos deve estar sendo lançado o DVD. Mas isso já outra
história.
Da Vinci vale a pena ser visto nos cinemas sim, por leitores ou não-leitores
de Dan Brown, fãs ou inimigos de Ron Howard, católicos,
judeus ou integrantes de qualquer outra religião. Pois, como uma
das frases do próprio filme diz, “o que vale mesmo é
aquilo em que acreditamos no fundo dos nossos corações”
e, nessas horas, ter uma opinião própria vale por muito
mais do que mil palavras ditas por seja lá quem for.
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