Dre Parker, um garoto de 12 anos que poderia ser o mais popular de Detroit, mas a carreira de sua mãe acaba os levando para a China. Imediatamente, Dre se apaixona pela sua colega de classe Mei Yin, mas as diferenças culturais tornam essa amizade impossível. Pior ainda, os sentimentos de Dre fazem com que o brigão da sala e prodígio do kung fu Cheng torne-se seu inimigo. Na terra do Kung Fu, Dre conhece apenas um pouco de karate e Cheng irá mostrar ao "Karate Kid" que seus conhecimentos não valem nada. Sem amigos numa nova cidade, Dre não tem a quem recorrer exceto o zelador do seu prédio Mr. Han, que é secretamente um mestre do kung fu. À medida que Han ensina Dre que o kung fu é muito mais que socos e habilidade, mas sim maturidade e calma, Dre percebe que encarar os brigões da turma será a aventura de uma vida. |
Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han, Rongguang Yu, Zhensu Wu, Zhiheng Wang, Zhenwei Wang, Jared Minns, Shijia Lü, Yi Zhao, Bo Zhang, Luke Carberry, Cameron Hillman, Ghye Samuel Brown, Rocky Shi, Ji Wang, Harry Van Gorkum, Tess Liu, Xinhua Guo, Jijun Zhai, Shun Li, Yanyan Wu, Tao Ji, Chen Jing, Wentai Liu, Geliang Liang, Xu Ming, Wen Wen Han e Hannah Joy. |
“A vida sempre vai nos derrubar, mas somos nós que escolhemos se queremos ficar em pé ou não”. A frase anterior é apenas uma entre as diversas punch lines (frases de impacto) proferidas por Mr. Han (Jackie Chan) no filme Karate Kid e bem poderia ilustrar a situação de muitas franquias e produções lançadas nos anos 80 que não sobreviveram às inúmeras continuações e remakes e acabaram por cair no esquecimento.
Lançado em 1984, o filme chegou de maneira despretensiosa aos cinemas, mas com um roteiro simples e, por que não dizer edificante, conquistou o público e se transformou em um dos maiores sucessos daquele ano. Obviamente, muito disso se deveu ao carisma de Pat Morita que com sua atuação imortalizou o personagem Kesuke Miyagi. À época a produção foi responsável direta por levar às academias de karatê centenas de novos discípulos que, inspirados no filme, queriam se aprofundar nas artes marciais.
O tempo e uma série de continuações ruins foram cruéis com a franquia. Ainda na década de 80 outros dois filmes foram lançados, com bom desempenho nas bilheterias, mas um distanciamento cada vez maior das origens da produção. Em 1994, Karate Kid – Uma Nova Aventura soterrou de uma vez por todas novas possibilidades à franquia e os filmes da série ficaram relegados às sessões da tarde nas emissoras de TV.
Foram precisos pouco mais de 15 anos para que Karate Kid voltasse a ser algo pelo qual todos poderiam esperar novamente. E, felizmente, essa nova versão que chega aos cinemas apresenta muito mais pontos positivos do que negativos, alterando os rumos da história, mas mantendo-se fiel às origens e aos princípios que nortearam a produção na primeira metade da década de 80.
Estreando como roteirista, Christopher Murphey realiza um trabalho simples, burocrático em alguns momentos, mas seguro e eficiente. Com 2h20 de duração Karate Kid se perde um pouco nos minutos iniciais. Embora apresente a história de maneira agradável o filme peca ao dar voltas para entrar de cabeça no ponto principal da trama. Dre Parker (Jaden Smith) precisa apanhar de maneira similar três vezes até que as surras culminem em um elemento motivador para o seu treinamento. O excesso de didatismo não chega a ser um incômodo, mas suprimir algumas das cenas poderia tornar os primeiros trinta minutos mais dinâmicos.
Com poucos trabalhos relevantes e incluindo o péssimo A Pantera Cor-de-Rosa 2 em seu currículo, o diretor holandês Harald Zwart utiliza muito bem as composições de cena e os contrapontos para ilustrar o seu ponto de vista. Assim, a produção consegue ir dos momentos de ação (como a cena de perseguição entre os garotos) até os momentos sublimes (o encontro de Dre e Mei Ying no Teatro de Sombras) sem recair em elementos forçados ou cafonas. A naturalidade com que tudo é mostrado contribui em muito para que o espectador se identifique com o contexto da trama.
Muito dessa identificação se deve também ao bom trabalho de Jaden Smith, filho do ator Will Smith. Se em filmes como À Procura da Felicidade e O Dia Em que a Terra Parou suas funções eram de mero coadjuvante, em Karate Kid Jaden assume um papel exigente, repleto de possibilidades e as explora muito bem. Assim, o ator de apenas 12 anos demonstra carisma em sequências de ação, comédia e drama e sai muito bem em todas as situações. Aliás, não só se sai bem como chama para si a responsabilidade em pelo menos dois momentos importantes da produção – há uma sequência com Jackie Chan que culmina com um treinamento em que são exibidas apenas as suas sombras que é fabulosa.
Da mesma forma, rever Jackie Chan em um papel digno de suas artes marciais e longe das comédias bobas, como Missão Quase Impossível e A Hora do Rush, é um prazer. Se a velocidade que ele exibia em seus primeiros filmes já não é mais a mesma, seu nível de atuação canhestro evoluiu significativamente e ele apresenta o timing certo entre uma sequência séria e um plot bem humorado, revelando um personagem intrigante e divertido.
Apostando em públicos distintos, a trilha sonora mistura Justin Bieber, Lady Gaga, AC/DC e Bach, por mais incrível que possa parecer, de maneira coerente e sem soar oportunista, fazendo com que as canções funcionem em prol do filme e não o contrário. Se havia alguma dúvida que a franquia Karate Kid poderia render algo mais ao mundo do entretenimento ao menos em termos de qualidade a produção não deixa em nada a desejar e deve agradar tanto como um filme para a família como para o público mais jovem que nem era nascido à época do sucesso do primeiro filme.
Se as palavras do mestre Han forem mesmo verdadeiras Karate Kid, guiado pelas mãos de Will Smith, decidiu se levantar e ficar em pé por mais algum tempo. E filmes como esse, enquanto permanecerem fieis à suas origens, terão espaço cativo não apenas na nostalgia, mas também no coração do espectador.
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