Durante a Depressão, o governo americano tenta deter os criminosos John Dillinger, Baby Face Nelson e Pretty Boy Floyd, transformando o FBI na primeira agência federal de polícia do país.
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Ficha Técnica ..::
Título
Original: Public Enemies.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Michael Mann.
Roteiro: Ronan Bennett, Michael Mann e Ann Biderman, baseado em livro de Bryan Burrough.
Produção: Michael Mann e Kevin Misher.
Fotografia: Dante Spinotti.
Edição: Jeffrey Ford e Paul Rubell.
Música: Elliot Goldenthal.
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Elenco ..::
James Russo, David Wenham, Christian Stolte, Jason Clarke, Johnny Depp, John Judd, Stephen Dorff, Michael Vieau, John Kishline, Wesley Walker, John Scherp, Elena Kenney, William Nero Jr., Channing Tatum, Christian Bale, Rory Cochrane, Madison Dirks, Len Bajenski, Adam Clark, Carey Mulligan, Andrzej Krukowski, John Michael Bolger, Branka Katic, Peter Defaria, Jonathan Macchi, Jeff Shannon, Michael Sassone, Emilie de Ravin, Brian Connelly, Ed Bruce, Billy Crudup, Geoffrey Cantor, Chandler Williams, Robert B. Hollingsworth Jr., David Paul Innes, Joe Carlson, Ben Mac Brown, Marion Cotillard, Giovanni Ribisi, Diana Krall, Duane Sharp. Domenick Lombardozzi, Bill Camp, John Ortiz, Richard Short, Randy Ryan, Shawn Hatosy, Kurt Naebig, John Hoogenakker, Adam Mucci, Rebecca Spence, Danni Simon, Don Harvey, Shanyn Leigh, Stephen Graham, Spencer Garrett, Stephen Lang, Don Frye, Matt Craven, Laurence Mason, Randy Steinmeyer, Kris Wolff, Lili Taylor, Donald G. Asher, Andrew Steele, Philip M. Potempa, Brian McConkey, Alan Wilder, David Warshofsky, Peter Gerety, Michael Bentt, John Lister, Jim Carrane, Joseph Mazurk, John Fenner Mays, Rick Uecker, Craig Spidle, Jason T. Arnold, Andrew Blair, Mark Vallarta, Daniel Maldonado, Sean Rosales, Stephen Spencer, Patrick Zielinski, Gareth Saxe, Guy Van Swearingen, Jeff Still, Lance Baker, Steve Key, Leelee Sobieski, David Carde, Gerald Goff, Aaron Roman Weiner, Keith Kupferer, Turk Muller, Tim Grimm, Martie Sanders e Robyn Scott.
O orçamento de Inimigos Públicos foi de US$ 100 milhões e o filme arrecadou US$ 195 milhões nas bilheterias.
::.. Trailer ..::
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Crítica ..::
Além da competência, alguns diretores trazem estampado em todo e qualquer trabalho que fazem uma espécie de rótulo que os define em qual estilo provavelmente se dariam melhor. É como se ao pensar em um determinado tipo de filme, imediatamente, viesse a nossa mente que lê deveria ser dirigido por uma determinada pessoa. Nesse sentido, Michael Mann é um exemplo.
Em todos os filme que dirigiu, podemos apontar características comuns e ambientes peculiares, daquelas que só e bater o olho já dá pra saber que “este é um filme de Michael Mann”. Três delas são bastante marcantes: uso de trilha sonora, estilo de filmagem e a dualidade dos seus personagens.
Com raras exceções, foi assim em Fogo Contra Fogo, O Informante, Colateral e Miami Vice. E, sem nenhuma surpresa, as três características estão fortemente presentes em Inimigos Públicos o que, de forma alguma, faz com que o filme seja previsível ou a história se torne desinteressante.
Vamos por partes. Dualidade dos personagens. Essa premissa fica clara já no título do filme é, sem dúvida, é grande força por trás de Inimigos Públicos. Temos um protagonista, Christian Bale (Melvin Purvis), e um antagonista, Johnny Depp (John Dillinger), muitíssimo bem-definidos. Enquanto o primeiro é comedido em suas palavras e planeja suas ações nos mínimos detalhes, o segundo age por impulso, se comporta de maneira ousada e vive cada dia como se não houvesse amanhã.
Se a clara distinção de personalidades já ajuda a, por si só, colocar na mesa um drama policial dos mais interessantes, some a esse fato um importante diferencial: Johnny Depp. A composição de John Dillinger é simplesmente brilhante. Depp, como lhe é peculiar, consegue sobrepor seu carisma até mesmo ao filme como um todo. Os rompantes e a ousadia de Dillinger, alguém que vai da gentileza à agressividade com a mesma velocidade com que pisca e que não se contenta em viver sem uma pitada de ousadia em sua vida é algo cativante. Mesmo agindo de maneira errada é impossível não simpatizar com seu personagem e não torcer por ele, ainda que o final seja previsível.
Por outro lado, o mocinho em questão personalizado por Christian Bale se, não chega à altura e Johnny Depp, por outro lado não compromete. Comedido, sua atuação é de poucas palavras, porém Bale consegue expressar bem um misto de inocência e obsessão do personagem, seja no sotaque interiorano das primeiras cenas ou mesmo na expressão facial, como na ótima sequência em que visita Dilliger na cadeia.
A ganhadora do Oscar por Piaf – Um Hino ao Amor, Marion Cottilard, embora em segundo plano, proporciona uma bela exibição no papel de Billie Frechette, a mulher simplória submissa que se apaixona perdidamente por Dillinger, a ponto de abrir mão de sua pobre, porém pacata, vida de recepcionista para cair no mundo ao lado de um homem que vê o dia seguinte apenas como uma conseqüência ou uma nova oportunidade de romper as regras mais uma vez. Fria em alguns momentos, forte na maior parte do tempo, Cottilard sintetiza um ideal distante do personagem de Depp, uma espécie de porto seguro que ele não esperava encontrar, mas que, de certa forma, mexeu com ele a ponto de fazê-lo deixar se levar.
Mann utiliza a trilha sonora como parte efetiva de sua edição. É ela, muitas vezes, quem conduz a transição de uma cena para outra e, ao seu ritmo, são apresentados pontos e contrapontos dos personagens. Sob uma mesma canção, as ações opostas de cada um ressaltam que ambos vivem o mesmo mundo, mas cada à sua maneira. A filmagem no estilo câmera na mão, em diversas cenas, é mais uma das preferências do diretor adotada também em Inimigos Públicos. Se por um lado ela é acertada na maioria das vezes, já que ela revela ao mesmo tempo um caráter documental, expressando um sentimento de veracidade em tudo que o espectador vê, e também uma certa instabilidade, perfeita para explicitar algumas sequência (repare na cena em que John Dillinger resgata os prisioneiros na cadeia), por outro ela se mostra excessiva e desnecessária, servindo, por exemplo, apenas para ressaltar de maneira “tremida” a expressão de Purvis como na sequência em que recebe um sermão de Edgar Hoover (Billy Cudrup).
Embora o final seja previsível, o foco maior da produção não é no seu desfecho em si e, sim, na maneira como tudo isso é mostrado. A dualidade entre ambos e o desfile das personalidades de Dillinger e Purvis é a grande aposta do roteiro bem trabalhado por Michael Mann, Ronan Bennet (Um Golpe de Sorte) e Ann Biderman (As Duas Faces de Um Crime). Inimigos Públicos é uma produção esmerada de altíssimo nível e consegue retratar com perfeição a década de 30 pós-crash da economia americana.
Tecnicamente bem realizado, com uma história bem conduzida e boas interpretações, no entanto, fazem de Inimigos Públicos um bom filme e nada mais do que isso. Longe de ser algo que “reinventa o gênero de gângster” ou “uma aposta certeira para o Oscar 2010”. Inimigos Públicos mostra apenas a qualidade e o talento de um diretor como Michael Mann como um dos mais interessantes da atualidade para conduzir dramas do gênero que produz. Poderia ser melhor? Poderia. Mas nem por isso a produção deixa de ser uma das opções mais agradáveis que pintaram nos cinemas em 2010.