O mundo já sabe que o inventor bilionário Tony Stark é o super-herói blindado Homem de Ferro. Sofrendo pressão do governo, da mídia e do público para compartilhar sua tecnologia com as forças armadas, Tony reluta em divulgar os segredos por trás da armadura do Homem de Ferro, temendo que as informações caiam em mãos erradas. Tendo Pepper Potts e James "Rhodey" Rhodes a seu lado, Tony estabelece novas alianças e enfrenta novas e poderosas forças.
::..
Ficha Técnica ..::
Título
Original: Iron Man 2.
Origem: Estados Unidos, 2010.
Direção: Jon Favreau.
Roteiro: Justin Theroux, baseado em HQ de Stan Lee, Don Heck, Larry Lieber e Jack Kirby.
Produção: Kevin Feige.
Fotografia: Matthew Libatique.
Edição: Dan Lebental e Richard Pearson.
Música: John Debney.
::..
Elenco ..::
Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Kate Mara, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow, Paul Bettany, Sam Rockwell, Jon Favreau, Leslie Bibb, Olivia Munn, Don Cheadle, Clark Gregg, Helena Mattsson, Stan Lee, John Slattery, Gina Cantrell, Tim Guinee, Ayelet Ben-Shahar, Natalina Maggio, Jack White, Garry Shandling, Anya Monzikova, Davin Ransom, Grace Stanley, Jennifer D. Johnson, Keith Middlebrook, Victoria Parsons, Alejandro Patino, Cassity Atkins, Ted Alderman, Eric L. Haney, Philippe Bergeron, Karim Saleh, Nicolas Pajon, Mathew Lorenceau, David Merheb, Dustin Jacobs, Kiana Prudhont, Scott Pease, Don Abernathy, Chris Borden, John Ceallach, Timothy 'TJ' James Driscoll, Josh Driver, François Duhamel, Mark Casimir Dyniewicz, Jonathan Eisley, Michael Gianelli, Paul Grace, Terricka Hudson, Jennifer Lynne Johnson, Selena Johnson, Mark Kubr, Cameron Lee, Basil McCurry, Ed Moy, Delka Nenkova, Liam O'Donnell, Aleksandrs Petukhovs, Erin Pickett, Becky Porter, Steven James Price, Kristin Quick, Tanner Alexander Redman, Gene Richards, Jenny Robinson, Torin Sixx, Arne Starr, Nik Stjepanovic, Doug Swander, Michael A. Templeton, Kate Yerves, Maria Zambrana e Dippen Zinzuvadia.
Segundo filme da série. O anterior foi Homem de Ferro (2008).
O orçamento de Homem de Ferro 2 foi de US$ 200 milhões e o filme arrecadou US$ 621 milhões nas bilheterias.
::.. Trailer ..::
::..
Crítica ..::
Quando Homem de Ferro aportou nos cinemas ainda sob a sombra de Batman - O Cavaleiro das Trevas e semanas depois da Marvel anunciar que tomaria o controle criativo de suas produções, um misto de espanto e esperança por um futuro promissor em novas produções recaiu sobre os fãs das HQs, críticos e pelo público em geral.
Uma das características mais marcantes dos super-heróis nos quadrinhos sempre foi o fato de eles serem engajados politicamente, longe da visão de cosplays divertidos que alguns filmes como Quarteto Fantástico ou Batman & Robin insistiram em apregoar. O espanto que se deu foi positivo. Afinal, para o grande público as origens do super-herói eram desconhecidas e, embora os fãs fossem unânimes em dissertar sobre a sua história, Homem de Ferro ainda está longe de ser um personagem tão popular quanto Batman ou Super-Homem.
A expectativa que se criou foi a mais promissora possível. Com controle total sobre os seus personagens a Marvel decidiu iniciar aquela que talvez seja a mais ousada das apostas da história do cinema de entretenimento: apostar em uma série de filmes-solo dos seus personagens para que, num futuro próximo, possa reunir todos numa franquia ainda maior, o projeto Os Vingadores.
Assim, se no primeiro filme sua principal função era apresentar ao mundo o nascimento, as origens e o universo de Homem de Ferro para o mundo - função desempenhada com louvor, diga-se de passagem - em Homem de Ferro 2, com essa premissa já estabelecida os roteiros da Marvel voltam seus olhos para um projeto mais distante. De personagem principal, Homem de Ferro parece se tornar um coadjuvante em sua própria produção. Tudo isso em prol de um projeto de longo prazo.
Analisemos objetivamente: qual é a principal motivação da trama de Homem de Ferro 2? Iniciando logo após o término do primeiro, acompanhamos a trajetória de Ivan Vanko (Mickey Rourke), filho de um dos ex-engenheiros das indústrias Stark disposto a se vingar pelo fato de seu pai nunca ter recebido o devido crédito pela participação na construção da tecnologia que permite manter a armadura do Homem de Ferro e Tony Stark (Robert Downey Jr.) vivos.
Ao mesmo tempo, o governo norte-americano luta para por as mãos no invento e utilizá-lo como bem entender em prol dos seus esforços bélicos. Seus concorrentes, em especial Justin Hammer (Sam Rockwell) estão anos-luz da tecnologia inventada. Sob um argumento pacifista, Tony Stark prefere continuar a combater o crime à sua maneira, sem intervenções ou ingerências sobre o seu trabalho. Desta forma podemos afirmar objetivamente que tudo se resume a evitar que uma poderosa tecnologia caia em mãos erradas ou, analisado sobre outra ótica, que ela deixe de ser propriedade única e exclusiva das indústrias Stark.
Até aí, nenhum problema. Muito pelo contrário. Mas qual não é a surpresa ao percebermos a maneira como essa tecnologia cai em mãos erradas? Mesmo dentro de um universo fictício e fantasioso, soa inverossímil acreditar que o surgimento de um novo super-herói – no caso o Máquina de Combate (Don Cheadle) – tenha o seu nascimento a partir de uma bebedeira de Tony Stark. As atitudes egocêntricas do personagem em uma festa funcionam como o combustível para que James Rhodes vá até o laboratório de Stark e se aposse, indistintamente, de uma de suas armaduras e, de maneira natural, passe a utilizá-la como quem veste um novo traje de passeio, inclusive sendo capaz de rivalizar com o próprio criador da ferramenta.
Se por um lado em termos de entretenimento tudo parece muito divertido – a sequência em questão da festa é hilária e guarda algumas falas memoráveis para ilustrar o estilo de vida de Stark – em termos de roteiro é decepcionante imaginar que um fato tão tolo não só sirva de estopim para os embates da segunda parte do filme como também expliquem o propósito da aproximação maior de Nick Fury (Samuel L. Jackson), preparando o caminho para os próximos filmes da empresa. É muito pouco para uma franquia que já se mostrou capaz de ir muito além, desde que preocupada com si mesmo e não com um esquadrão de personagens.
Para deleite dos fãs há diversas referências ao mundo dos quadrinhos como o escudo do Capitão América que aparece em uma das cenas, por exemplo. Porém, ainda assim, elementos como esse significam muito pouco, para não dizer nada, no andamento da trama deste filme. Se posteriormente servirão para explicar outros filmes, é outra história. Trata-se de um “sacrifício” em prol de um “bem maior”.
Se em termos de trama Homem de Ferro 2 deixa a desejar, felizmente o mesmo não se pode dizer em relação ao entretenimento e às atuações. Robert Downey Jr., a exemplo do que fez no primeiro filme, é a personificação perfeita de Tony Stark. Suas atitudes egocêntricas e insensatas regadas a muito dinheiro o tornam portador de um carisma único, digno de grandes personalidades do mundo real. Já a chegada de Mickey Rourke à franquia é outro ponto brilhante. Ivan Vanko surge como um contraponto perfeito à megalomania do personagem de Downey Jr. Seu estilo alternativo, frio e, ainda assim, capaz de tiradas sarcásticas, que levam o personagem da suavidade à extrema violência em questão de segundos, são marcantes.
A substituição de Terrence Howard por Don Cheadle, no personagem James Rhodes, é algo que incomoda à primeira vista, mas acaba ficando em segundo plano graças ao bom trabalho de Cheadle. Da mesma forma Scarlett Johansson porta-se na tela de maneira segura, tanto nas sequências de ação quanto nos momentos mais dramáticos. Não chega a ser uma atuação que chame a atenção tanto quanto a sua beleza, mas não é nada que comprometa ou se possa apontar como um fato negativo.
Preocupando-se com um desenvolvimento em função das próximas histórias e não em função de si mesmo, Homem de Ferro 2 se apresenta inferior ao episódio de estreia. Porém, graças principalmente ao carisma dos seus personagens, revela-se ainda assim uma produção divertida, com entretenimento de sobra e muito mais momentos positivos do que negativos. Por ser muito mais fiel à linguagem dos quadrinhos é bem provável que muitos fãs apontem Homem de Ferro 2 como uma obra tão interessante quanto a primeira produção. No entanto, em termos cinematográficos, o comportamento do roteiro se concentra mais em lançar novas ideias do que desenvolver uma história coesa com começo, meio e fim. O resultado deixa no ar a sensação de que faltou alguma coisa. O que é uma pena. Afinal Tony Stark jamais se colocaria, ou deveria ser colocado, em segundo plano numa produção que leva a sua assinatura.