Renata Ferreira, Olavo Cavalheiro, Paula Barbosa, Fellipe Guadanucci, Beatriz Machado, Moroni Cruz, Karol Cândido, Samuel Nascimento, Fabio Enriquez, Eduardo Landim, Michelle Batista, Giselle Batista, Wanessa Camargo, Tereza Seiblitz, Tadeu Aguiar, Debora Olivieri, Claudio Torres Gonzaga, Herbert Richers Jr. e Ilana Kaplan. |
É muito fácil apontar High School Musical – O Desafio como uma produção ruim. Para aqueles que não são fãs de uma das franquias de maior sucesso da Disney nos últimos anos, bem como aqueles que acreditam que Zac Efron e Vannessa Hudgens não acrescentam em nada à cinematografia mundial, uma versão nacional nos mesmos moldes da norte-americana é mais do que um prato cheio para críticas quanto à sua qualidade.
Por outro lado, a exemplo do fanatismo desmedido despertado nas adolescentes em filmes como Crepúsculo e Lua Nova, não tenha dúvida que também não faltarão defensores – e principalmente defensoras – ferrenhas dos ídolos musicais “do momento”, ainda que eles passem de meros desconhecidos a estrelas da noite para o dia. Porém, embora atinja públicos similares aos fãs dos vampiros e lobisomens de Stephenie Meyer, é possível ver muito mais propósitos nessa adaptação nacional do que em qualquer um dos outros filmes estrelados por Edward e Bella.
High School Musical – O Desafio não é nada inovador. Seu roteiro é previsível e segue os mesmos moldes das três versões norte-americanas. A livre adaptação, inclusive, acaba gerando pérolas risíveis como uma escola intitulada “High School Brasil” ou uma equipe de futebol universitária intitulada “lobos-guará”, numa clara alusão aos nomes de animais adotados pelas equipes universitárias nas ligas norte-americanas.
Some-se a isso um outro aspecto interessante relativo a estrutura dos musicais. Para o norte-americano a ideia de uma canção durante um filme funciona como uma espécie de fluxo de consciência. Em tese, raciocina-se que o personagem principal não para a sua ação para cantar uma música. O número musical reflete, nada mais do que a sua consciência, funcionando como uma espécie de aposto dramático, conduzindo a trama adiante sem que, necessariamente, a ação proclamada nos versos aconteça.
Dessa forma, não deixa de ser estranho perceber que essa “pausa para a canção” seja referenciada diretamente na história, como na sequência em que Olavo (Olavo Cavalheiro) se dirige a Renata (Renata Ferreira) e diz que gostou de ouvi-la cantando na porta da escola. Em tese, o momento musical aconteceu dentro de um fluxo de consciência – ou é plausível pensar que do nada uma rua inteira para e dança uma música? – e, sendo assim, sua referência é equivocada e absurda.
Apesar dos pesares, duas outras razões me impedem de apontar High School Musical – O Desafio como uma bomba cinematográfica. A primeira delas fica por conta da composição do elenco. Sim, entre os atores do filme está lá o nome de Wanessa Camargo. Não vou entrar no mérito se suas músicas são boas ou ruins – afinal, não sou crítico musical e cada um tem o seu gosto particular – mas sua presença enquanto atriz é tão pequena na produção que ela funciona mais como um chamariz de público do que como qualquer outra coisa.As verdadeiras estrelas da produção são os oito atores – quatro moças e quatro rapazes – em torno dos quais a trama principal se desenvolve. Embora o grupo tenha sido selecionado em meio àqueles concursos no estilo Ídolos, uma breve espiada na biografia de cada um deles revela um dado interessante: embora jovens, todos têm vários anos de dedicação a uma carreira artística, seja com aulas de canto, teatro ou música.
Em uma época em que ex-Big Brothers tornam-se atores e atrizes sem ter a menor ideia do que é expressão corporal, impostação vocal ou uma partitura, ver jovens que realmente estudaram tendo uma oportunidade dentro de sua profissão – e no Brasil – é algo digno de nota. Se irão ter uma carreira de sucesso ou se desenvolver em cada uma de suas áreas é uma outra história. O fato é que entre colocar apenas rostos bonitinhos ou estudantes de teatro há uma grande diferença.
O segundo aspecto que me leva a apontar High School Musical – O Desafio como uma boa notícia no cenário brasileiro é o gênero que o filme se enquadra. Temos uma indústria incipiente de cinema no país que, praticamente, produz apenas filmes com três temáticas: comédias, crítica social à pobreza e violência nas favelas. Não estou generalizando, mas não seria nenhum absurdo afirmar que 80% dos filmes produzidos no país hoje se enquadram nesse tripé. Sendo assim, ter um musical com espaço nas telas do cinema não só é uma notícia bem-vinda, como deixa no ar uma expectativa para que outros gêneros também possam desenvolvidos por aqui.
Por que não uma ficção científica brasileira? Por que não filmes de terror contando as lendas urbanas nacionais? Por que não mais dramas, com histórias universais de qualidade? É claro, adaptar uma história americana não é a melhor das coisas - longe disso. Mas nesse caso, já é um começo.
Que outras ideias como essas, que fujam da mesmice que é o cinema nacional, possam florescer e encontrar espaço para se desenvolver. E, principalmente, que o público mostre que está disposto a aceitar coisas novas e não apenas fique reduzido a idealizar novos ídolos. Sim, sei que posso estar sendo otimista até demais. Mas só de poder ir ao cinema e ver profissionais brasileiros fazendo outras coisas que não se resumam a pobreza, violência ou comédias novelescas, já uma exceção e tanto aos títulos comerciais nacionais que devem figurar nas telas em 2010. |