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::.. HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE - PARTE 1 ..::
::.. Sinopse ..::
O poder de Voldemort está aumentando cada dia mais. Ele agora tem o controle sobre o Ministério da Magia e de Hogwarts. Harry, Rony e Hermione decidem terminar o trabalho de Dumbledore e encontrar o resto das Horcruxes para derrotar o Lorde das Trevas. Mas a esperança continua pouca para eles, então tudo o que eles fazem tem que sair como planejado.
::.. Ficha Técnica ..::
Título Original: Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 1.
Origem:
Inglaterra / Estados Unidos, 2010.
Direção:
David Yates.
Roteiro:
Steve Kloves, baseado em livro de J. K. Rowling.
Produção:
David Barron e David Heyman.
Fotografia:
Eduardo Serra.
Edição:
Mark Day.
Música:
Alexandre Desplat.
::.. Elenco ..::
Bill Nighy, Emma Watson, Richard Griffiths, Harry Melling, Daniel Radcliffe, Julie Walters, Bonnie Wright, Rupert Grint, Ian Kelly, Michelle Fairley, Fiona Shaw, Alan Rickman, Carolyn Pickles, Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter, Helen McCrory, Jason Isaacs, Tom Felton, Timothy Spall, Graham Duff, Peter Mullan, Guy Henry, Arben Bajraktaraj, Rod Hunt, Suzanne Toase, Ralph Ineson, Adrian Annis, Emil Hostina, Paul Khanna, Richard Strange, Anthony John Crocker, Peter G. Reed, Granville Saxton, Judith Sharp, Ashley McGuire, Penelope McGhie, Bob Yves Van Hellenberg Hubar, Tony Kirwood, Michael Gambon, David Ryall, Robbie Coltrane, Brendan Gleeson, James Phelps, Oliver Phelps, Mark Williams, George Harris, Andy Linden, Domhnall Gleeson, Clémence Poésy, Natalia Tena, David Thewlis, John Hurt, Frances de la Tour, Evanna Lynch, Rhys Ifans, Matyelok Gibbs, Eva Alexander, Simon McBurney, Matthew Lewis, Jon Campling, Devon Murray, William Melling, Simon Grover, Freddie Stroma, Isabella Laughland, Jessie Cave, Anna Shaffer, Josh Herdman, Amber Evans, Ruby Evans, Katie Leung, Georgina Leonidas, Louis Cordice, Scarlett Byrne, Afshan Azad, Imelda Staunton, David O'Hara, Steffan Rhodri, Nick Moran, Toby Jones, Sophie Thompson, Daniel Tuite, Daisy Haggard, George Potts, Rose Keegan, Ned Dennehy, Kate Fleetwood, Danny Webb, Rade Serbedzija, Jamie Campbell Bower, Hazel Douglas, Adrian Rawlins, Geraldine Somerville, Miranda Richardson, Michael Byrne, Dave Legeno, Samuel Roukin, Warwick Davis e Elliot Francis.
::.. Site Oficial ..::
http://www.karatekid-themovie.com/
::.. Premiações ..::
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::.. Saiba mais ..::
Sétimo filme da série. Os demais foram Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001), Harry Potter e a Câmara Secreta (2002), Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005), Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004) e Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007), Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009).
::.. Trailer ..::
::.. Crítica ..::
Adaptações literárias para o cinema sempre foram consideradas um terreno espinhoso e árduo para roteiristas e diretores. Se por um lado há a tentação fácil em pegar os pontos chaves de uma obra bem sucedida e levá-la para as telas ipsis literis, sem se preocupar muito com a distinção de linguagens entre os dois meios, por outro a impossibilidade de colocar um toque pessoal em algumas situações é uma das barreiras mais frustrantes para muitos profissionais renomados do meio.

Como proceder então com a adaptação de um best seller, com milhões de fãs ao redor do planeta e que, certamente, conhecem mais os detalhes da obra literária do que boa parte dos nomes envolvidos em uma produção? E mais, como transformar essas páginas de uma história consagrada em uma obra audiovisual de qualidade capaz de ser compreendida tanto por aqueles que não leram os livros quanto pelos fãs mais afoitos que provavelmente vão reclamar a cada sequência que não seja incluída no resultado final?

Por mais difícil que essa missão possa parecer, não há como negar que o resultado alcançado pelo diretor David Yates neste sétimo filme da franquia é, sem dúvida, um dos melhores entre os filmes da série. A decisão de transformar o último livro em dois filmes, vista inicialmente como um simples truque mercadológico, felizmente comprova na tela que havia mesmo uma razão para que as 784 páginas do último volume tivessem um tratamento mais do que especial.

Com exatas 2h26, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 cumpre a sua missão ao fazer uma transição segura a partir do sexto filme e deixar no ar após a sua exibição um clima de expectativa e suspense para o desfecho da aventura no oitavo título da franquia. Mesmo a longa duração não é um empecilho para que a trama flua com naturalidade. Pelo contrário. O tempo corre a favor de Yates que, com competência, constrói sequências contemplativas e transições entre cenas que, de fato, deixam no ar a mesma sensação que um leitor poderia ter com o livro em mãos.

Um grande exemplo disso, e que você pode prestar atenção ao conferir a produção, são as transições de sequências utilizando o recurso fade out. Estamos acostumados na atualidade a acompanhar cenas em que há muito mais cortes de câmera do que podemos perceber. Em questão de segundos, dezenas de pequenos trechos, mostrados por ângulos distintos, insistem em criar sensações de impacto junto ao espectador. Relíquias da Morte se sobressai nesse aspecto justamente pelo oposto.

Em diversos momentos a câmera pouco se movimenta, colocando o espectador muito mais na posição “uma testemunha da história” do que na de um mero consumidor de um videoclipe frenético recheado de efeitos especiais. Essa característica sugere uma proximidade com o espectador, fato mais do que justificado após termos acompanhado a saga dos personagens ao longo dos últimos dez anos. Ao sair de um plano para outro, Yates aposta numa simples transição com a tela se apagando e som sendo diminuído. O corte, nesse caso, funciona com maestria. É como se virássemos uma página a cada nova sequência, algo que raramente prevalece no cinema de grande orçamento.

Se em Harry Potter e o Enigma do Príncipe o clima sombrio se tornou uma característica acentuada e os conflitos emocionais e amorosos dos personagens, em alguns pontos, chegassem mesmo a se mostrar inoportunos e sobrepostos ao foco da trama, neste sétimo filme a história pouco se fixa nesse mérito, tornando a preparação para o conflito final que está por vir a motivação maior do trio principal – Harry Potter (Daniel Radcliffe), Hermione Granger (Emma Watson) e Ron Weasley (Ruper Grint).

Com duas horcruxes destruídas nos filmes anteriores, o foco passa a ser a busca e a destruição das outras cinco existentes. Essa característica da trama faz com que o grupo precise colocar o pé na estrada, criando uma espécie de road movie – ainda que a trajetória do grupo seja feita a pé ou por meio de feitiços – lembrando muito nesse aspecto a segunda parte da trilogia de O Senhor dos Anéis. Não há tanta ação como muitos poderiam esperar, por outro lado há conflitos de sobra, uma ótima sequência de batalha aérea e momentos sublimes dignos do melhor estilo de filmes europeus.

Aliás, o adjetivo “europeu” cabe como uma luva na descrição do clima proposto em muitas das cenas do filme. Uma das sequências que melhor ilustram essa característica se passa quando Harry e Hermione ficam sozinhos e ela está triste pela partida de Ron. Harry não diz nada e, para consolá-la a pega pelas mãos e insiste para que os dois dancem. É impossível não deixar escapar um sorriso no canto do rosto tanto pela sutileza da abordagem quanto pela plasticidade da sua execução.

Como um velho amigo com quem convivemos por longa data e esta prestes a partir, Harry Potter se aproxima do seu público e, com muita parcimônia, revisita muitos dos momentos vividos ao longo das outras seis produções. São elementos simbólicos, que muitas vezes serão reconhecidos apenas pelos leitores dos livros, misturados a referências claras e pequenos flashbacks, gerando uma saborosa unicidade a todo o universo da franquia.

Se o período em Hogwarts tinha tudo para ser a época mais incrível na vida de cada um dos personagens e valores como amizade, lealdade e aprendizado deram o tom à moral dominante em toda a série, o desfecho dessa primeira parte certamente levará muitos às lágrimas, não só pela maneira triste como ela é concluída, mas principalmente pela lição de humildade e pelo exemplo de amizade verdadeira deixada por um dos personagens.

Harry Potter está chegando ao fim nos cinemas. Mas para toda uma geração que cresceu lendo as suas histórias e acompanhando o desenvolvimento de cada um dos personagens ao longo dos filmes, a hora do adeus representará nada mais do que um até logo. Para esses bastará apenas fechar os olhos e deixar a saudade revisitar as memórias do amigo Potter, companheiro cuja amizade feitiço nenhum será capaz de quebrar. Nem mesmo o tempo. Que venha a parte final e permita que Harry passe das telas do cinema para a história como uma das franquias mais bem-sucedidas que o mundo do cinema já viu.

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Wikerson Landim - wikerson@portaldecinema.com.br
Publicado em 17/11/2010
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