Num futuro próximo um revolucionário videogame on-line será a mais popular forma de diversão. Semanalmente, milhões de internautas assistem condenados lutando para sobreviver como se fossem personagens virtuais em um videogame. Kable, um prisioneiro, se tornará a grande estrela deste jogo. Para o jogador, Kable é um mero personagem, mas para o grupo de resistência ele é a peça chave para a vitória. No meio dessa batalha, e sob o comando de um adolescente, Kable terá que usar todas suas habilidades extravirtuais para vencer o jogo e derrubar o sistema.
::..
Ficha Técnica ..::
Título
Original: Gamer.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Mark Neveldine e Brian Taylor.
Roteiro: Mark Neveldine e Brian Taylor.
Produção: Gary Lucchesi, Tom Rosenberg, Skip Williamson e Richard S. Wright.
Fotografia: Ekkehart Pollack.
Edição: Peter Amudson, Fernando Villena e Doobie White.
Música: Robb Williamson e Geoff Zanelli.
::..
Elenco ..::
Gerard Butler, Amber Valletta, Michael C. Hall, Kyra Sedgwick, Logan Lerman, Alison Lohman, Terry Crews, Ramsey Moore, Ludacris, Aaron Yoo, Jonathan Chase, Dan Callahan, Brighid Fleming, Johnny Whitworth, Keith Jardine, Michael Weston, Joseph D. Reitman, John de Lancie, Milo Ventimiglia, Zoe Bell, John Leguizamo, Noel Gugliemi, Jarvis W. George, Jai Stefan, Richard Machowicz, Ken Smith, Henry Hayashi, Dylan Kenin, Keith David, Maggie Lawson, James Roday, Sam Witwer, Rebekah Tarin, Kate Mulligan, Med Abrous, Ashley Rickards, Nikita Ramsey, Jade Ramsey, Mimi Michaels, Sadie Alexandru, Ariana Scott, Cynthia Robertson, Antoinette Antonio, Don Smith, Lloyd Kaufman, Stephanie Mace, Adam Loeb, Efren Ramirez, David Rubin, Fred Loeb, Hayley Derryberry e Paul J. Porter.
O filme Gamer arrecadou US$ 30 milhões nas bilheterias.
::.. Trailer ..::
::..
Crítica ..::
Infelizmente o tema para debate e a discussão que Gamer suscita são melhores que o filme em si. E quando digo infelizmente, digo isso com a maior sinceridade possível já que é fascinante estar diante de um tema tão rico e com tantos pontos de vista possíveis de serem explorados. Ver um resultado final apenas mediano diante de uma gama tão ampla de possibilidades é frustrante porém, ainda assim, é possível elencar um bom número de pontos positivos na produção.
A premissa do filme é interessante e, talvez, seja o seu maior ponto forte. Num futuro próximo um jogo de videogame, chamado Society tornou-se um sucesso mundial. O jogo é bastante similar ao Second Life que bem conhecemos nos dias atuais, mas com uma pequena diferença: ao invés dos jogadores controlarem avatares, seu personagens são seres humanos de verdade. Em geral, pessoas de baixa renda que aceitaram receber um implante de nanochips no cérebro em troca de dinheiro. Com os nanochips, essas pessoas passam a ser meros fantoches nas mãos dos jogadores que, da mesma forma, pagam para ter acesso e controle dos personagens.
O sucesso foi tanto que inspirou uma nova versão do jogo, mais violenta e brutal, chamado Slayers. No game os controlados são prisioneiros condenados à prisão perpétua ou à pena de morte, treinados para combates militares. E como em um grande Counter Strike ou Combat Arms virtual, cabe aos jogadores comandarem esses prisioneiros em batalhas sangrentas. O prisioneiro que resistir a 30 combates seguidos ganha o direito a liberdade. Para completar o show, todos os combates são transmitidos para o mundo todo, como uma espécie de reality show.
Se você é um jogador de videogame (ou gamer) perceberá com muito mais facilidade todas as indicações e referências do mundo virtual que surgem a todo instante. Seja pelo visual exagerado e psicodélico de pessoas que se vestem e agem como avatares ou de cenários construídos especificamente para o encontro desses personagens, tudo lembra games como The Sims ou Second Life. Da mesma forma, nas cenas de batalha, em alguns momentos tem-se a nítida sensação que estamos em meio à uma partida de Counter Strike, Combat Arms ou qualquer outro jogo de tiro em primeira pessoa (FPS) do gênero.
O que por um lado é um ponto forte do filme – já que dialoga diretamente com um nicho específico de público, utilizando-se da sua linguagem e das suas referências para abordar outros temas relevantes – por outro lado a mesma premissa pode soar vazia ou sem sentido para o espectador médio não acostumado com essa realidade e que verá, na maior parte do tempo, cenas violência gratuita em desfile embasadas em uma premissa que pode soar pouco convincente.
É bem verdade que em Gamer os efeitos tem suma importância e, não fosse por eles, em muitas seqüências até mesmo alguns entendidos no assunto poderiam encontrar dificuldades em entender certas propostas. Porém, um roteiro inteligente e bem estruturado, na maior parte do tempo, auxilia na sustentação da narrativa do filme. Dirigido e idealizado por Brian Taylor e Mark Neveldine (Adrenalina), o filme abusa da edição fragmentada no melhor estilo videoclipe. São tantos cortes que alguns planos chegam a ser confusos, embora bem feitos em sua maioria. Com poucos deslizes – como uma ridícula sequência musical próxima ao clímax final do filme que, literalmente, funciona como um balde de água fria, tirando o espectador do filme – Gamer consegue transmitir a sensação de que tem uma mensagem a dizer, embora ela não fique clara, exceto para quem vive o cotidiano do mundo dos games.
Gamer também derrapa em alguns estereótipos clássicos, apresentados no filme apenas para exacerbar um contraponto entre mundos distintos. A figura do nerd, extremamente gordo e anti-social, frustrado e infeliz, que projeta seus desejos e anseios em um avatar completamente avesso ao seu perfil. Embora seja um estereótipo cabível para o público em geral, certamente não o será para o público-alvo da produção. E é justamente essa indecisão entre tentar agradar ao seu público e tentar agradar também um público completamente distinto que faz com que o filme perca em termos de personalidade e, com isso, diminua o impacto do seu discurso.
Como citado anteriormente, em termos visuais o filme claramente se serve das referências do mundo dos games e também, em diversas seqüências, é possível notar referências claras ao mundo apocalíptico idealizado em Blade Runner, seja nos cenários ou mesmo na maquiagem de alguns personagens que lutam contra o sistema dominante.
Em um momento em que a indústria cinematográfica parece ter se encantado com a popularidade dos games junto ao público – afinal nos próximos anos teremos dezenas de títulos adaptados dos consoles para as telas – trazer à tona uma produção que coloca o papel do jogador em debate é algo bastante relevante. É bem verdade que o resultado é bastante tímido perto do potencial inexplorado que fica evidente. Se Gamer, infelizmente, não é um grande filme pelo menos abre portas para que, de certa forma, o público possa refletir quais são os limites da realidade virtual que podem ser atingidos sem que para isso seja preciso deixar de lado a ética e o bom senso.