Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Ashley Greene, Nikki Reed, Jackson Rathbone, Kellan Lutz, Peter Facinelli, Cam Gigandet, Taylor Lautner, Anna Kendrick, Michael Welch, Christian Serratos, Gil Birmingham, Elizabeth Reaser, Edi Gathegi, Rachelle Lefevre, Sarah Clarke, Ned Bellamy, Gregory Tyree Boyce, Justin Chon, Matt Bushell, José Zúñiga, Solomon Trimble, Bryce Flint-Sommerville, Alexander Mendeluk, Hunter Jackson, Gavin Bristol, Sean McGrath, Catherine Grimme, Ayanna Berkshire, Katie Powers e Trish Egan. |
Sabrina, Bianca e Julia. Na década de 90 lembro de uma série de romances voltados para o público feminino que era vendida em bancas de revista, com esses títulos. Certa vez, por curiosidade, li um deles (não me recordo qual). A história era simples, idealizada ao extremo e apelando para os sentimentos mais femininos possíveis até então: a procura pelo homem ideal, o amor incondicional, a paixão desmedida e, é claro, doses de sexo com um amor de fazer inveja a Romeu e Julieta.
Olhando para trás, tenho sérias razões para acreditar que qualquer um deles, se adaptado para o cinema, renderiam filmes melhores ou mais coerentes que o fenômeno Crepúsculo, produção que arrebatou o mundo do cinema da mesma maneira com que se tornou um best-seller: de maneira inexplicável.
Histórias de amores impossíveis, no melhor estilo Shakespeariano, sempre renderam bons frutos aos cinemas. Em uma sala escura, com concentração total na tela e uma trilha sonora adequada, ficamos diante de um placo perfeito para viajar e idealizar finais felizes para as histórias mais improváveis possíveis e, em se tratando de amor, perceber que nada é impossível é algo que mexe da mesma maneira com homens e mulheres.
Mas o que dizer do amor concebido por Stephenie Meyer em sua saga Crepúsculo, alçando Isabela Swan (Krsiten Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson) como as figuras mais representativas do romance para toda uma geração de meninas adolescentes e, por que não dizer, jovens mulheres? Levantar algumas possibilidades para explicar o sucesso é, de certa forma, uma tarefa fácil. Acreditar que elas são verdadeiras, porém, é uma questão mais complicada.
Em termos cinematográficos Crepúsculo é um filme bastante irregular. Há furos na história, na aproximação dos personagens, nas revelações importantes em pontos de virada da trama, nos efeitos especiais e, até mesmo, na maneira como os personagens agem diante das circunstâncias. Assim, acompanhamos Isabela em sua mudança para a pequena cidade de Forks, com pouco mais de três mil habitantes. Lá chegando, no colégio, ela se aproxima do misterioso Edward, um jovem pelo qual às meninas suspiram, mas poucos sabem sobre ele.
O amor entre ambos surge á primeira vista. Isabela é atraída pela sua beleza. Já Edward justifica a atração pelo fato de não conseguir com ela o que consegue com todos os outros mortais à sua volta: ler os seus pensamentos. Intrigada com os mistérios do jovem que vão se revelando a todo instante, é através do Google – sim, isso mesmo – que ela junta o quebra-cabeça e descobre o que ninguém, em todos os anos na cidade, pensou descobrir: Edward é um vampiro.
A cena em que Isabela confronta Edward sobre as suas características poderia até cair bem em um teatro, mas não no cinema. Em meio à floresta ela declama o porque de achar que ele é um vampiro. Como um macho que se exibe diante de uma fêmea antes do acasalamento, Edward confirma a versão e faz um “show particular” exibindo seus poderes e insistindo para que a garota se afaste dele – ainda que sempre que ela o faça ele a procure para pedir o mesmo.
É dessa contradição bastante incoerente que surge o amor de ambos e, mais que um “homem ideal”, Edward parece fazer questão de se comportar como um super herói – ou vilão – a cada momento. Seus poderes são ressaltados por efeitos especiais bastante medianos. Nas cenas em que lê demonstra uma super velocidade para subir uma montanha, por exemplo, suas pernas nunca são mostradas e a sensação que se tem é que ele desliza sobre um fundo falso projetado.
Se até certo ponto da trama o romance apresenta uma linearidade, com os únicos pontos de conflito sendo a integração de Isabela à família de vampiros, com mais de uma hora e vinte minutos de filme nos é apresentada, de uma forma canhestra, uma partida de baseball em um campo aberto, com uma tempestade prestes a desabar. A partida não tem sentido algum na trama, servindo apenas como uma oportunidade para mostrar vampiros correndo, voando e exibindo sua força descomunal. Assim como a chuva anunciada não vem, o vilão da história surge e, sem nenhuma motivação aparente, decide iniciar uma caçada à Isabela “pelo resto de sua vida”.
Se em Crepúsculo a história parece mudar o seu rumo de um instante para o outro apenas para que um elemento possa ser exibido ou para que algo forçado aconteça levando a história adiante de uma maneira que naturalmente não ocorreria, da mesma forma os humores dos personagens parecem tão instáveis quanto o clima na cidade de Curitiba. Isabela, por exemplo, tem uma relação aparentemente sem problemas com o pai. De poucas palavras, é bem verdade, mas tirante a falta da presença dele no lar, não parece haver motivos para que ela o trate ora de maneira alegre, ora de maneira rude e grosseira.
Da mesma forma, alguns crimes cometidos na cidade durante a trama, investigados pelo pai de Isabela que é policial, começam e terminam o filme insolúveis e longe sequer de uma explicação – que possivelmente pode vir em outros filmes. Sinceramente, é muito pouco para justificar o sucesso de qualquer filme que seja, o que dirá o frenesi criado em torno da série que, nas mãos da indústria, foi alçada ao status de saga da noite para o dia.
Agindo mais como um super-homem do que como um vampiro, Crepúsculo eleva o vilão da história ao status de homem ideal. Da mesma forma, se posiciona favorável às ações de Isabela, uma jovem visivelmente instável emocionalmente, que não pensa duas vezes em virar às costas à família e até mesmo a tirar sua própria vida em prol de um romance iniciado em poucos dias. E é justamente exacerbando essa idealização e colocando o espectador sob o ponto de vista de uma mente confusa que Crepúsculo aposta suas fichas.
Ou seja: nada que, de forma alguma, justifique tanta histeria em torno de uma história. No entanto, a julgar pela arrecadação do primeiro filme e da invasão “teen” em todos os prêmios de votação popular que alçaram o inexpressivo Robert Pattinson ao patamar de símbolo sexual do momento, podemos esperar pelos próximos anos uma verdadeira overdose vampiro-romântica em todas as mídias possíveis, já que outros três filmes estão à caminho. O mal venceu? Suponho que sim, pelo menos até a próxima febre. Que ela venha com dentes de alho, crucifixos e água benta e espante os vampiros-doces para bem longe.
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