Cinebiografia da inovadora estilista francesa Coco Chanel, desde a osua origem obscura até o alto estrelato do mundo da moda.
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Ficha Técnica ..::
Título
Original: Coco Avant Chanel.
Origem: França, 2009.
Direção: Anne Fontaine.
Roteiro: Anne Fontaine e Camille Fontaine, baseado em livro de Edmonde Charles-Roux.
Produção: Caroline Benjo, Philippe Carcassonne e Carole Scotta.
Fotografia: Christophe Beaucame.
Edição: -.
Música: Alexandre Desplat.
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Elenco ..::
Audrey Tautou, Benoît Poelvoorde, Alessandro Nivola, Marie Gillain, Emmanuelle Devos, Régis Royer, Etienne Bartholomeus, Yan Duffas, Fabien Béhar, Roch Leibovici, Jean-Yves Chatelais, Pierre Diot, Vincent Nemeth, Bruno Abraham-Kremer, Lisa Cohen, Inès Bessalem, Marie-Bénédicte Roy, Emilie Gavois-Kahn, Fanny Deblock, Claude Brécourt, Karina Marimon, Bruno Paviot, Franck Monsigny, Marie Parouty, Jean-Chrétien Sibertin-Blanc, Marie-Josée Hubert, Patrick Laviosa e Kim Schwarck.
O filme faz jus ao título, e realmente mostra quem foi a Coco antes de Chanel. Órfã, pobre, com uma ambição que chega a ser imoral, porém respeitada e não julgada graças ao seu talento e criatividade em adaptar o mundo à sua personalidade provocativa.A expectativa pelo filme foi tanta, que pode decepcionar quem espera por uma produção deslumbrante. Porém, a imagem da Coco Chanel eternizada, lendária, ícone, já é bem conhecida.
A idéia do filme é justamente retratá-la de forma mais real, mostrando apenas um período de sua vida - algo bem comum nos filmes biográficos atuais - em que Chanel estava se preparando, construindo e formando sua personalidade. É mais um filme com um ponto de vista muito particular, que nos instiga em saber mais do personagem principal.
Uma pena ignorarem a Gabrielle Bonheur Chanel, repleta de alguns escândalos, e envolvimentos amorosos e políticos bem polêmicos - pois existem grandes evidencias de que ela defendia idéias bem racistas, e que foi sim uma colaboradora do nazismo e se aproveitou da situação para prosperar sua marca - que a fizeram ser mal vista na França no período pós-guerra, em que a marca Chanel passou por vacas magras e foi ofuscada pela Dior.
A idéia de evitar todas as armadilhas visuais, caricaturas e clichês, foi inteligente, porém o naturalismo da atmosfera, criada pela diretora Anne Fontaine e o desenhista de produção Olivier Radot, é desanimadora, apesar de ter uma riqueza de detalhes que passam despercebidos.Ações humildes e aparentemente simples de costurar, cortar, abrir rolos de tecidos, entre linhas, agulhas e alfinetes, ganham charme e beleza em cenas que acompanham todo o filme.São muitos os momentos em que a criatividade e o estilo andrógeno de Chanel são enfatizados.
Ela se recusou a usar espartilhos, e de se vestir e comportar-se de acordo com as regras e convenções sociais, mudou a silhueta das roupas femininas, e se utilizou de forma inteligente do vestuário masculino. Para Coco a elegância estava bem longe dos excessos.Logo no início do filme ela sugere a sua irmã que use o espartilho de um vestido, mais aberto nas costas para que ela pudesse ter mais liberdade para dançar. Em outra cena, após ganhar um vestido branco (de voal e seda repleto de flores e fitas) ela opta por usar um tecido xadrez e confeccionar rapidamente um novo vestido que fugia a todos os padrões de feminilidade da época.
O poder de transformar infelicidade em criatividade dá leveza a angustia de nos deparamos com um personagem fiel aos seus desejos, com uma arrogância e um humor cortante.Sentada em sua famosa escadaria, Coco Chanel saboreia seu triunfo com melancolia e solidão, enquanto recorda momentos de seu passado, nos deixando com uma sensação de, quero mais.
Ficaremos no aguardo de um filme menos romanesco e inocente, já que a continuidade da história de Coco Chanel é mais excitante. "Deve-se sempre remover, tirar, e nunca acrescentar", com certeza esta frase da revolucionária estilista, inspirou um filme sem abusos, mas que poderia nos apresentar uma futura imperadora da moda com seus anseios, inseguranças e esperanças de uma forma mais... "temperada". Christiano Kubis