Douglas
Silva, Darlan Cunha, Rodrigo dos Santos, Camila Monteiro,
Naíma Silva, Luciano Vidigal, Pedro Henrique, Jonathan
Haagensen e Eduardo BR. |
Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, tinha tudo para inaugurar uma nova era no cinema brasileiro. Considerado por muitos críticos com um dos mais importantes filmes da cinematografia brasileira, Cidade de Deus correu o mundo e colocou o Brasil de igual pra igual com o primeiro mundo da sétima arte.
Sem um planejamento, com roteiros superficiais e, principalmente, sem uma contrapartida das grandes produções que se beneficiam das leis de incentivo à cultura, Cidade de Deus permaneceu como um oásis em meio ao deserto. Se há alguns anos tivemos três ou quatro produções entre as dez maiores bilheterias do cinema nacional, o ano de 2007 não deve registrar o mesmo êxito. Muito pelo contrário.
Cidade dos Homens, baseado em série homônima exibida pela Rede Globo, tinha todos os traços para seguir um caminho semelhante nas bilheterias. No entanto, apesar do espectador brasileiro ter diminuído seu preconceito em relação às produções nacionais e da qualidade dos filmes ter aumentado significativamente, não deve confirmar suas expectativas. O que é, realmente, uma pena.
Há algo mais em Cidade dos Homens do que uma simples adaptação de uma série para o cinema. Há sim, a violência característica das disputas pelo poder do tráfico de drogas nas favelas cariocas. Há também o elemento da falta de oportunidades, do ser humano fazendo a diferença no dia a dia para se manter vivo, mesmo apesar dos pesares. Mas além do mundo externo, a obra de Pulo Morelli nos mostra os sentimentos de dois jovens, às vias de completar 18 anos, que de repente se percebem em meio a tudo isso, sem sequer terem conhecido seus pais, e diante de um futuro que insiste em se repetir.
Mais do que uma história que se passa no morro, nos vemos diante de uma “história universal”, diante de um questionamento comum aos jovens quanto ao seu futuro, baseado num roteiro coerente, bem construído e muito bem conduzido. A edição de Daniel Rezende também nos remete aos melhores momentos de Cidade de Deus. E até mesmo a trilha sonora – de muito bom gosto – surpreende ao fugir dos óbvios funk ou samba da cidade maravilhosa, nos mostrando que o Rio de Janeiro é mais do que apenas um ritmo.
Da mesma forma a história nos mostra que há algo mais do que uma violência gratuita, de uma glamourização do banditismo ou apologia ao crime. Seja através dos sonhos e da fé da esposa de Acerola em busca de uma vida melhor longe da favela ou da ilusão de um jovem que recebe a sua única oportunidade da vida no mundo do crime e se sente capaz de enfrentar qualquer um com uma arma na mão. Há vida em Cidade dos Homens. Há vida no cinema brasileiro. Apesar dos inúmeros problemas de apoio financeiro, distribuição e exibição em circuitos reduzidos e uma completa falta de planejamento para os próximos anos. Cidade dos Homens é uma exceção em tudo isso. Assim como Acerola, Laranjinha e muitos outros brasileiros que fazem da sua vida exceção a cada dia. |