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::.. A SUPREMA FELICIDADE ..::
::.. Sinopse ..::
Rio de Janeiro, 1945. O garoto Paulo, de 8 anos, assiste ao lado dos pais, Marco e Sofia, os festejos pelo fim da 2ª Guerra Mundial. Seu melhor amigo é Cabeção, com quem compartilha a rua e o colégio jesuíta em que estuda. Já na juventude, Paulo precisa lidar com a frustração do pai por não ter conseguido realizar o sonho de pilotar um jato. Ele se aproxima de Noel, seu avô, um funcionário público boêmio que o inicia na vida noturna carioca. Logo se apaixona por Deise, uma jovem misteriosa que possui um ar existencialista. O caso entre eles não dá certo e Paulo passa a frequentar, com cada vez mais assiduidade, a área de prostituição local. Um dia, no cabaré Eldorado, Paulo reencontra o pai, triste e solitário. Eles passam a dividir a admiração pela jovem Marilyn, de apenas 16 anos, obrigada pela mãe a tirar a roupa para os clientes. É quando a reaproximação de Paulo com o pai e uma repentina história de amor provocam uma grande reviravolta na vida de ambos.
::.. Ficha Técnica ..::
Título Original: A Suprema Felicidade.
Origem:
Brasil, 2010.
Direção:
Arnaldo Jabor.
Roteiro:
Arnaldo Jabor.
Produção:
Francisco Ramalho Jr. e Arnaldo Jabor.
Fotografia:
Lauro Escorel.
Edição:
Letícia Giffoni.
Música:
Cristóvão Bastos.
::.. Elenco ..::
Marco Nanini, Dan Stulbach, Mariana Lima, Elke Maravilha, Jayme Matarazzo, Michel Joelsas, Caio Manhente, João Miguel, Maria Flor, Tammy Di Calafiori, Emiliano Queiroz, Maria Luísa Mendonça, Ary Fontoura, Jorge Loredo, Raphael Molina, Isaak Barki, César Cardadeiro, Matheus Varize, Camilla Amado, Cláudio Mendes, Roney Villela, Ataíde Arcoverde, Uirandê Holanda, Débora Olivieri, Deborah Wood, Laura Limp, Fernando Lopes, Glauber Gonzalez, Majô de Castro, Diogo Brandão, Cláudia Melik, Diogo Brandão, Paulo Mathias Jr., Alex Carter, Caio Trindade, Wanderley Honorato da Silva, Douglas Maister, Luiz Nicolau, Gutenberg Rocha, Sylbeth Soriano, Ernesto Xavier, Rejane Zilles, Maria Lídia Costa, Bastos Filho, João Henrique, Carlos Viegas, Cristóvão Bastos, André Barros e P.P. Pugliese.
::.. Site Oficial ..::
http://www.asupremafelicidade.com.br/
::.. Premiações ..::
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::.. Saiba mais ..::
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::.. Trailer ..::
::.. Crítica ..::
Em entrevista sobre o filme A Suprema Felicidade, Arnaldo Jabor afirmou que decidiu voltar ao cinema depois de quase vinte anos afastado da sétima arte por se sentir “envenenado” de tanto escrever sobre política no dia a dia. E, embora defina a produção como uma obra sem caráter autobiográfico, claramente a maneira como o roteiro expõe as suas memórias e as lembranças dos filmes que formaram o caráter do diretor denotam exatamente o oposto. E este talvez seja o maior dos problemas do completamente dispensável novo filme de Jabor.

Em comparação com o restante da obra de Arnaldo Jabor, A Suprema Felicidade é o retrato claro de que o ácido crítico do sistema se transformou em um homem rancoroso e amargo, parando no tempo quando o assunto é cinema, mas há anos-luz daquele artista que, com sua obra, refletia e fazia refletir, ainda que de maneira tecnicamente imperfeita. E, em se tratando de qualidade, é pouco provável que se Jabor fosse um homem de fora da grande mídia tivesse os cerca de R$ 12 milhões que teve à disposição para a realização da produção.

A trama se passa entre as décadas de 40 e 50. Com o fim da Segunda Guerra Mundial o menino Paulo, de apenas oito anos, vive um período de descobertas e precisa lidar com as frustrações dos seus pais e a vida dura no colégio jesuíta. Sua adolescência é um período de revelações e enquanto enfrenta pela primeira vez dilemas como a paixão e o amor, Paulo ouve os conselhos do avô Noel, um funcionário público boêmio que parece conhecer tudo aquilo que a vida oferece de melhor.

Contada em tom de crônica, a trama não se preocupa em ser fiel a um ou outro momento da vida de Arnaldo Jabor. O personagem Paulo, seu alter ego na tela, parte de lembranças vividas pelo autor, mas tem liberdade ficcional para contar a sua própria história na trama. Entre muitas idas e vindas o roteiro se revela, infelizmente, uma abominável colcha de retalhos pontuada por sequências desconexas entre si e desnecessárias por si próprias.

Assim, embora Jabor encontre espaço para fazer todas as referências que gostaria, num exercício jocoso de alguém que faz um filme apenas para satisfazer a sua própria vaidade, elas pouco dizem para o espectador que poderá, se muito atento, pescar uma ou outra referência a alguns clássicos da cinematografia mundial dirigidos por Fellini, Godard e outros cineastas renomados.

Se diante das citações a produções consagradas o diretor se comporta como um espectador respeitoso, o mesmo não se pode dizer a respeito de sua obsessão pelo olhar voyeur. A mulher, enquanto figura em sequência, sempre se encaminha de um ponto para outro como um elemento submisso, ainda que demonstre alguma vontade própria. Simbolicamente ela se torna um mero objeto de desejo, caracterizado em especial pelos insistentes detalhes nos seios, seja a cena relevante ou não. É como se o autor procurasse a transgressão, algo que poderia ser até justificado há vinte anos, ao exibir nudez, fato que nos dias de hoje é insignificante diante da saturação de imagens que vemos em cada produção.

Com uma única exceção, as personagens em geral se comportam como se representassem meros esquetes teatrais. Assim temos uma sequência que se assemelha a um quadro de Zorra Total, seguida de um plano poético e de belíssima fotografia e outra cena com diálogos tão teatrais que fazem parecer que outro filme começou. Aliás, se um elemento que evoluiu na cinematografia brasileira, em se tratando de roteiro, foram os diálogos, cada vez mais coloquiais e próximos ao cotidiano do espectador. Em A Suprema Felicidade vemos exatamente o oposto, ora com falas teatrais, ora com situações inverossímeis ou completamente desnecessárias.

Um exemplo dessa situação é o personagem do pipoqueiro Bené (Marcos Jorge). Todas as sequências em que surge são destinadas única e exclusivamente a terminar em um trocadilho ou uma piadinha de duplo sentido. Como possível lembrança da infância de Jabor e menção dentro do filme o personagem é valido. Como entremeio entre um arco e outro, maneira como é utilizado à exaustão, torna-se cansativo e faz o favor de empurrar o espectador para fora do filme repetidamente.

De todo o elenco, o único a se salvar é Marco Nanini, no papel de Noel. Sua personificação vai do sutil ao cômico de um instante para outro com muita naturalidade e, embora explorado em excesso, em especial nos trinta minutos finais do filme, Noel destoa completamente de tudo que é apresentado, se sobressaindo positivamente em “seu filme”, um dos “muitos filmes” dentro de A Suprema Felicidade.

O alto orçamento, em parte, justifica o resultado final de outro ponto que chama a atenção positivamente: a direção de arte. O trabalho de reconstrução de época e figurino é de alta qualidade para os padrões nacionais e tanto nos ambientes externos quanto internos, de alguma forma ou de outra, é possível sentir que há um clima de outra época presente. Essa qualidade é acentuada pela competente direção de fotografia de Lauro Escorel e salva a produção do desastre completo.

No que depende das escolhas da direção parece não haver noção alguma de bom senso. Repare, por exemplo, na sequência final com Marco Nanini em que ele samba em uma das ruas do Rio de Janeiro. A bela fotografia externa num piscar de olhos funde-se com uma imagem panorâmica da cidade e revela Nanini dançando diante de um chroma key. O resultado visual nesse ponto lembra o das piores produções dos anos 80 e sepulta de uma vez por todas qualquer esperança do espectador em encontrar alguma razão para compartilhar da viagem conduzida por Arnaldo Jabor.

Partindo do nada para chegar a lugar algum, A Suprema Felicidade não poupa o espectador nem mesmo na duração do filme que tem arrastadas duas horas e cinco minutos. Infelizmente, talvez muito mais por razões alheias a qualidade técnica do que qualquer outra coisa, a volta de Arnaldo Jabor à direção faz com que ele se revele muito aquém até mesmo dos seus primeiros trabalhos nas décadas de 60 e 70. Se a campanha de marketing da produção pergunta ao espectador o que é a felicidade, certamente a resposta não se encontra no filme. Aliás, a única sensação de felicidade suprema proporcionada pelo filme é o momento em que sobem os créditos finais indicando o fim da desastrosa projeção.

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Wikerson Landim - wikerson@portaldecinema.com.br
Publicada em: 01/11/2010.
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