Em Bancoc, Richard, um jovem viajante americano, deseja descobrir um lugar desconhecido e inexplorado, mas na verdade está preste a arriscar sua vida em busca de uma coisa: aquela sensação de êxtase que só pode ser encontrada numa incrível aventura. Em uma praia secreta, ilusoriamente perfeita, ele logo irá descobrir que conforme o nível de intensidade sobe e os riscos crescem, os desejos ficam mais fortes... e o perigo aumenta.
::..
Ficha Técnica ..::
Título
Original: The Beach.
Origem: Estados Unidos / Inglaterra, 2000.
Direção: Danny Boyle.
Roteiro: John Hodge, baseado em livro de Alex Garland.
Produção: Andrew Macdonald.
Fotografia: Darius Kondji.
Edição: Masahiro Hirakubo.
Música: Angelo Badalamenti.
::..
Elenco ..::
Leonardo Di Caprio,
Tilda Swinton, Virginie Ledoyen, Guillaume Canet, Robert Carlyle,
Paterson Joseph, Lars Arentz-Hansen, Peter Youngblood Hills, Jerry
Swindall, Zelda Tinska, Victoria Smurfit, Daniel Caltagirone, Peter
Gevisser, Lidija Zovkic, Samuel Gough, Staffan Kihlbom, Jukka Hiltunen,
Magnus Lindgren, Daniel York, Patcharawan Patarakijjanon, Somboon
Phutaroth, Weeratham 'Norman' Wichairaksakui, Jak Boon, Krongthong
Thampradith, Abhijati 'Meuk' Jusakul, Sanya 'Gai' Cheunjit, Kaneung
'Nueng' Kenia, Somchai Santitarangkul, Seng Kawee, Somkuan 'Kuan'
Siroon, Myriam Acharki, Andrew Carmichael, Josh Cole, Hélène
de Fougerolles, Bindu De Stoppani, Stacy Hart, Nina Jacques, Sheridan
Jones, Gunilla Karlson, Sian Martin, Isabella Seibert, Elizabeth
Thomas, Michael R. Thorpe, Timothy Webster, Ramon Woolfe, Saskia
Mulder, Simone Huber, Raweeporn 'Non' Srimonju e Irmelin Di Caprio.
O orçamento de A Praia foi de US$ 50 milhões e o filme arrecadou US$ 144 milhões nas bilheterias.
::.. Trailer ..::
::..
Crítica ..::
É difícil imaginar que Danny Boyle, poucos anos depois de ter dirigido o ótimo Trainspotting, fosse capaz de se envolver em um projeto com um resultado final tão canhestro e ruim. De certa forma, A Praia flerta longinquamente com a ideologia por trás do seu filme de maior sucesso até então. Porém, longe de transmitir essa mensagem de maneira eficiente, o filme acaba se tornando um martírio, com seguidas falhas e premissas caricatas.
Em A Praia acompanhamos a trajetória de Richard (Leonardo Di Caprio) um jovem de vinte e pouco anos que chega à Tailândia em busca de diversão e aventuras que não estejam nos guias turísticos. Vizinho ao quarto do hotel onde está hospedado ele conhece Daffy (Robert Carlyle) um homem confuso e atormentado que comete suicídio na mesma noite, mas deixa a Richard um mapa de uma suposta ilha inacessível. Segundo a lenda ela seria repleta de plantações de maconha e com uma água límpida como o azul do céu.
Os problemas da produção começam na obsessão de Richard por encontrar esse lugar. Para revelar suas intenções o diretor aposta em um monólogo, onde Richard sozinho em seu quarto parece ensaiar um discurso para si mesmo tentando de convencer. Com um personagem sem profundidade alguma até então, o recurso de “falar para a câmera” aparece como uma saída quase amadora para fazer com que a história se mova adiante.
Em seguida Richard convida um casal vizinho ao seu apartamento – Françoise (Virginie Ledoyen) e Étienne (Guillaume Canet) para embarcar nessa viagem. Absurdamente sem sequer conhecê-lo ambos aceitam de imediato a proposta e Étienne, inclusive, se predispõe a organizar a jornada do trio, que parte na manhã seguinte. Repare que essa importante decisão – razão até do título do filme – é tomada em questão de segundos e de uma maneira nada convincente.
Assim sobre um alicerce tão sólido quanto um fio de macarrão molhado toda a história se desenvolve. Obviamente não poderia acabar bem. A jornada de busca pela praia, praticamente, não oferece obstáculos. Da partida a chegada pouco tempo se passa. Para um lugar tão misterioso a ponto de ser classificado como uma lenda urbana é de se pensar que algo acessível até mesmo para turistas seria tão inacessível assim.
A vida na praia – como não poderia ser diferente – ocupa boa parte das quase duas horas de filme. Richard surge na história como um personagem em busca de algo, sem uma personalidade definida. Sua estadia na ilha o transforma, tornando-o diferente. Porém, a impressão que se tem é que a maneira como sai da história não têm tanto impacto sobre ele assim, afinal sua personalidade indefinida assim permanece e, no espectador, fica a sensação de ter acompanhado algo durante duas horas que se revela sem muito propósito.
Outros elementos contribuem para tornar A Praia uma experiência trágica. Há uma sequência, por exemplo, em que o personagem Richard se imagina em meio a um jogo de videogame, no meio de uma floresta que antecede a praia. A tela, então, transforma-se por alguns segundos em uma tela de jogo de forma patética e estúpida, afastando o espectador por completo do foco da história.
Aliás, uma das frases do filme chega a ser irônica com relação ao sentimento do espectador. “Mantenha a mente aberta e aproveite a experiência. Se doer é porque valeu a pena”. Em A Praia a “dor” que o espectador sente é o enjôo e a angústia por quase duas de projeção de uma história que caminha a passos largos para não chegar a lugar algum. Se Richard não sabe muito bem o que quer de sua vida, ao que parece o roteiro de A Praia também não.